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Diego Garcia

REPORTAGEM

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Dívida por vídeo polêmico bloqueia contas bancárias do Santos

Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

20/01/2022 04h00

O Santos foi surpreendido com uma penhora online de R$ 209 mil de suas contas bancárias no último dia 13 de janeiro. O motivo foi uma dívida pela produção de um vídeo que virou polêmica nos bastidores da Vila Belmiro ao longo do ano passado.

O bloqueio caiu como uma bomba no clube porque o processo movido pela Red Vision, empresa responsável pelo documentário, já havia penhorado o ônibus do time alvinegro. Além disso, o Santos havia oferecido o CT Meninos da Vila como garantia na ação.

Mais do que isso, o clube ficou preocupado pois a atual situação financeira é gravíssima, segundo o próprio Santos definiu em petição enviada à Justiça para desfazer a penhora. O time alvinegro se disse surpreso e pediu o desbloqueio imediato dos valores.

"O Santos enfrenta uma crise financeira muito severa e tal fato é notório. O cenário do clube é bastante preocupante. O clube tem envidado esforços para continuar adimplente com os salários dos jogadores e colaboradores", relataram os advogados da agremiação praiana.

Em decisão publicada na terça-feira, o juiz Claudio Teixeira, da 2ª Vara Cível de Santos, pediu pela juntada do detalhamento de bloqueio para fazer a análise do pedido feito pelo Santos.

No fim de 2021, o clube já havia sofrido derrota no caso. Além de ter defesa rejeitada, ainda viu o Judiciário acatar recurso da empresa para reconhecer a dívida como sendo de R$ 230 mil, e não mais de R$ 81 mil, valor cobrado originalmente no processo.

O caso da Red Vision virou polêmica no Santos. A empresa foi contratada para produzir um vídeo documentário há menos de um mês da eleição, em acordo de R$ 220 mil, assinado pelo ex-presidente Orlando Rollo, com entrada de R$ 50 mil paga dois dias antes do pleito. Como o clube não pagou o restante, o caso foi parar na Justiça.

Em documento ao qual a coluna teve acesso, o jurídico do Santos questiona o vídeo produzido, dizendo que foi entregue sem aprovação prévia. E acusa a empresa, chamada Red Vision Produtora, com nome fantasia Jubarte Mídia e Entretenimento, de ter sido contratada antes, em 2019, sem produzir nada.

Ainda afirma que o documentário ficou à disposição para análise por profissionais gabaritados do audiovisual, deixando evidente a produção às pressas, com um trecho de lances de gols que dura cinco minutos.

No processo, a empresa diz que produziria um documentário denominado "Santos Futebol Clube - O Tempo Não Para".