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Diego Garcia

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Garcia: Cruzeiro passa vergonha ao minimizar conquista do Galo

Torcedores celebram em meio aos fogos de artifício o título brasileiro do Atlético-MG - RODNEY COSTA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Torcedores celebram em meio aos fogos de artifício o título brasileiro do Atlético-MG Imagem: RODNEY COSTA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

03/12/2021 11h30

O Cruzeiro passou vergonha na noite desta quinta-feira, ao alfinetar a conquista do arquirrival Atlético-MG em suas redes sociais.

"Agora, são 16 títulos de expressão em Minas Gerais. Deixa eu contar quantos tenho aqui na Toca". O tweet não foi de um torcedor fanático, e sim da conta oficial do time celeste no Twitter - que teoricamente fala pelo clube -, logo após a conquista do Galo.

A zoeira com os rivais é saudável e faz parte do futebol, mas tem que ter noção. Primeiro, porque o Cruzeiro está no fundo do poço e precisa se recuperar o quanto antes para viver novamente de grandes títulos, e não de piadinhas enquanto seus rivais levantam taças; Segundo, porque quem é grande não precisa lembrar que é grande.

O clube celeste vive uma crise que não parece ter solução tão cedo. Assolado por dívidas, processos judiciais, guerra política, casos de corrupção e até greve de jogadores, o Cruzeiro virou mais frequente nas páginas policiais do que nas esportivas.

Do outro lado de Belo Horizonte, o Galo vive no céu. Nesta quinta, venceu o Bahia em virada épica e se sagrou campeão incontestável do Brasileirão, com três rodadas de antecedência e superando supertimes como o Flamengo, do melhor elenco do país, e o Palmeiras, bi da Libertadores.

Não só isso, talvez tenha sido o mais simbólico título de um Campeonato Brasileiro, ao menos na era dos pontos corridos. Nunca nenhum time ficou tanto tempo sem levantar a taça mais importante do futebol nacional, após 50 anos de espera.

O Atlético ainda tem uma final de Copa do Brasil para jogar, onde é favorito diante do Athletico-PR. E, por pouco, não disputou a decisão da Libertadores - caiu no critério de gols fora de casa, após dois empates contra o Palmeiras, futuro campeão.

O Cruzeiro, enquanto isso, coitado, está afundado na segunda divisão, onde terminou na ridícula 14ª colocação. Conseguiu levar mais gols que tomou e vergonhosamente acabou com saldo negativo. Ganhou só 10 de 38 jogos. Enfim, um vexame. A pior campanha de um grande na história da B por pontos corridos.

Em 2022, o time celeste vai jogar a Segundona pela terceira vez consecutiva, algo inédito entre grandes clubes. No ano passado, fez campanha parecida com a atual, somando apenas um ponto a mais e acabando na 11ª colocação. Em ambas as temporadas, ficou longe do acesso.

Na Copa do Brasil, foi eliminado pelo CRB em 2020 e pelo Juazeirense em 2021. Ficou distante, muito distante das finais. E conseguiu a façanha de não ficar nem entre os três primeiros colocados nas duas últimas edições do fraco Campeonato Mineiro.

Hoje, o América é a segunda força do Estado. No ano passado, fez bonito ao alcançar a semifinal da Copa do Brasil. E, neste ano, briga por uma vaga na próxima Libertadores - atualmente, em oitavo, está conquistando lugar na fase prévia do torneio.

Ninguém precisa lembrar que o Cruzeiro tem uma história linda. Faturou duas Libertadores, quatro Brasileiros, seis Copas do Brasil, 38 Mineiros. Mas, atualmente, é um time pequeno, que não consegue ficar nem no G-10 da segunda divisão.

Por favor, devolvam o Cruzeiro!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL