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Diego Garcia

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Bolsonaro flamenguista é o que o Palmeiras merece por papelão de 2018

Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

27/11/2021 04h00

Três anos depois de uma das maiores vergonhas da história do Palmeiras —a patacoada com Bolsonaro dentro do Allianz Parque após o título brasileiro de 2018—, o clube recebeu, enfim, o que merece: viu o "palmeirense" Jair Bolsonaro declarar torcida para o Flamengo em uma final da Copa Libertadores da América contra o time alviverde.

"Antes de agradecer a qualquer coisa, assim como falei em 2019 e deu certo... amanhã [hoje] somos todos Flamengo!", disse Bolsonaro ao encerrar seu discurso na cerimônia de formatura do 76º aniversário da Brigada de Infantaria Paraquedista, no Rio de Janeiro, nesta sexta (26).

Mas o que esperar de quem se diz torcedor do Palmeiras, mas também é meio botafoguense, meio vascaíno, ainda veste a camisa de todos os clubes quando lhe convém, inclusive - e algumas vezes - a do Flamengo, com quem mantém cordial relação com a diretoria, a mais bolsonarista do Brasil?

O Palmeiras merece essa humilhação. Três anos depois de protagonizar uma das maiores vergonhas de sua história: permitir ao infame presidente eleito Jair Bolsonaro, marcado por gestos racistas, homofóbicos, misóginos e que nem torcedor do clube é, dar a volta olímpica com uma taça do clube.

Foi logo após o título brasileiro de 2018 que o político entrou no gramado do Allianz para comemorar a conquista junto do elenco. Posou para a foto oficial, ergueu o troféu, deu a volta olímpica. Nem a circulação de um vídeo do presidente com a camisa do arquirrival Corinthians impediu a diretoria do Palmeiras de convidá-lo. Valia tudo por likes.

Três anos depois, com mais de 600 mil mortes nas costas e a pior administração em uma pandemia na história da humanidade no currículo, além de inúmeras outras atitudes lamentáveis, Bolsonaro surpreendeu um total de zero pessoas ao jogar para a torcida e ficar ao lado do Flamengo, cheio de cartolas que jogam no mesmo time que ele.

A pandemia já dura um ano e meio, mas, desde seu início, Flamengo e Bolsonaro estiveram alinhados em suas ideias. Em maio do ano passado, quando o vírus ainda não estava sequer perto de dizimar 600 mil famílias do país, dirigentes da agremiação justificavam o retorno do futebol pela falta de protocolo em outras atividades, como lojas de construção (?).

Enquanto isso, o presidente defendia —e ainda defende— medicamentos ineficazes, promoveu aglomerações, desincentivou o uso de máscaras de proteção facial e nem sequer teve a capacidade de se imunizar mesmo em meio à mais mortal crise sanitária em 100 anos —justamente por isso não pode pisar no estádio da final. E olha que ainda nem precisei mencionar o "rachadão das vacinas" de Bolsonaro.

O Flamengo defendeu a volta do público com a pandemia no auge; foi ao STJD para jogar com torcida mesmo com acordo contrário com os demais times; silenciou contra o golpe e vetou homenagem a ex-atleta torturado pela ditadura militar (apoiada pelo presidente); homenageou quatro desconhecidos aliados do governo por "serviços" prestados ao clube (?); e é patrocinado pela Havan, do negacionista Luciano Hang.

Enfim, ganhe quem ganhar neste sábado, ficará para a história que o time alviverde deixou o presidente genocida fazer o que quis dentro de sua casa e, três anos depois, o viu declarar torcida para um rival em uma decisão de Libertadores. Parabéns aos envolvidos por mancharem a história do Palmeiras com essa nojeira de 2018. O mesmo vale para o Flamengo e seus cartolas bolsonaristas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL