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Diego Garcia

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Dirigente e homem-forte do São Paulo viram réus por corrupção com Aidar

Bandeiras e faixas do projeto "Morumbi Raiz" - Divulgação/Torcida Independente
Bandeiras e faixas do projeto "Morumbi Raiz" Imagem: Divulgação/Torcida Independente
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

com Pedro Lopes e Thiago Braga

29/09/2021 22h58

Leonardo Serafim, ex-diretor jurídico e figura influente na administração do São Paulo, e Douglas Schwartzmann, atual secretário-geral do clube, viraram réus por corrupção, em denúncia apresentada pelo Ministério Público à Justiça de São Paulo.

Também foram denunciados o ex-presidente do clube, Carlos Miguel Aidar, sua ex-namorada, Cinira Maturana, o advogado José Roberto Cortez, além de Maria Eugenia Cortez e mais duas pessoas, em peça emitida pelo MP em 20 de setembro de 2021 e acatada pela Justiça no dia 24. .

A operação envolvendo o nome de Serafim já havia sido revelada pela coluna, em reportagem do mês de junho.

Em decisão publicada pela juíza Marcia Mayumi Okoda Oshiro, foi determinado que os acusados respondam às acusações em até dez dias e ainda ofereçam documentos para especificar as provas pretendidas. Também podem indicar testemunhas.

Procurado, o São Paulo afirmou que "não comenta casos que tramitam na Justiça". Serafim falou ao UOL que, "neste momento, o que eu posso falar é que não fui notificado oficialmente ainda. Por isso, não posso me manifestar. Quando o fizer, primeiro vou me manifestar no processo. Depois, se você quiser, darei a minha versão". Schwartzmann afirmou que desconhece o processo. "Desconheço e quando for comunicado oficialmente e tomar conhecimento, provarei a minha inocência e com certeza não serei processado, pois a denúncia no meu nome será derrubada".

O advogado de Aidar, José Luis Oliveira Lima, disse à coluna que "a acusação nada mais é do que uma peça de ficção criada pelo Ministério Público, que não é capaz de narrar um único fato criminoso em face do presidente Carlos Miguel Aidar. Depois de mais de cinco anos de investigação conduzida pelo MP, absolutamente nada foi demonstrado contra Aidar, que sempre pautou a sua vida pela correção e ética".

Na denúncia, o MP afirma que instaurou o inquérito após representação de conselheiros do São Paulo para apuração dos crimes de organização criminosa, estelionato ou furto mediante fraude e ainda lavagem de capitais cometidos por dirigentes tricolores.

A representação investigou a contratação do zagueiro Iago Maidana, que hoje está no Gil Vicente-POR. A negociação teria lesado os cofres do São Paulo, segundo a investigação. O MP ainda identifica comissões ilegais na negociação com a Under Armour e na contratação do escritório de advocacia José Roberto Cortez Advogados.

Segundo a denúncia, à qual a coluna teve acesso, a investigação revelou a participação de Leonardo Serafim no crime patrimonial e em lavagens de capitais durante a gestão Aidar no São Paulo.

O ex-diretor jurídico do clube e operador ainda ligado à atual gestão Casares foi denunciado por furto qualificado, com abuso de confiança e mediante concurso de duas ou mais pessoas.

Douglas, por sua vez, era diretor de marketing de Aidar e hoje é o atual secretário-geral do clube. O MP aponta que, na antiga gestão, pairavam suspeitas de irregularidades no exercício do cargo no marketing tricolor. O órgão ainda encontrou indícios de participação de Schwartzmann em manobra de lavagem de capitais

Aidar, que presidiu o São Paulo pela última vez entre abril de 2014 e outubro de 2015, foi denunciado por ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal.

A Folha de S. Paulo havia trazido o caso à tona pela primeira vez em fevereiro de 2020, ao mostrar depósitos anormais do dirigente.