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Diego Garcia

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Parecia que Brasil ia devolver 7 a 1 na Alemanha, mas quase virou tragédia

Richarlison sai para comemorar enquanto o zagueiro Pieper fica caído em um dos gols do Brasil contra a Alemanha - Phil Noble/Reuters
Richarlison sai para comemorar enquanto o zagueiro Pieper fica caído em um dos gols do Brasil contra a Alemanha Imagem: Phil Noble/Reuters
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

22/07/2021 10h25

É óbvio que nada será capaz de apagar os 7 a 1 de 2014 (a não ser que um dia o Brasil devolva o placar vencendo uma Copa do Mundo em Munique contra a Alemanha). Mas a seleção olímpica desperdiçou uma chance única de atropelar os alemães e ao menos dar um pequeno gostinho de vingança. Ainda tirou o pé no segundo tempo e sofreu dois gols. O passeio quase virou tragédia. No fim, venceu por 4 a 2.

Só no primeiro tempo, o Brasil finalizou 12 vezes, oito delas no gol. Ainda perdeu um pênalti e pelo menos quatro chances claras. Saiu vencendo por 3 a 0 - os três de Richarlison, que vai pedir música no Fantástico - e ficou barato. A seleção explorou bem as falhas alemãs, com precisão nos lançamentos e transição rápida entre a defesa e o ataque. Bela atuação.

Dadas as devidas proporções, a etapa inicial lembrou o 7 a 1. O Brasil massacrou nos primeiros 20 minutos, com sete finalizações. Aos 29, já estava 3 a 0 - a essa mesma altura, os alemães tinham aproveitado todas as oportunidades e já faziam 5 a 0 na fraca seleção de 2014, em plena semifinal de Copa do Mundo no Mineirão.

Porém, no segundo tempo, o Brasil tirou o pé. Se antes estava com uma boa marcação, relaxou na etapa complementar e viu Amiri descontar, aos 11 minutos. Parou de criar novas chances. Aos 38, Ache fez o segundo, nas costas de Diego Carlos. O que poderia ter sido uma sonora goleada virou susto e preocupação no fim da partida. Mas Paulinho trouxe alívio ao fazer o quarto nos acréscimos.

Não é a mais forte das Alemanhas, diga-se de passagem. Segundo André Donke, da ESPN, especialista em futebol germânico, várias peças importantes ficaram fora. Musiala, que foi à Euro Wirtz, Baku, Havertz e Nmecha - que fez o gol do título europeu sub-21 - foram desfalques, apenas para começar. Não tinha nenhum jogador do Bayern nem do Dortmund.

Como contraste, entre os 11 brasileiros que começaram a partida, oito já foram chamados por Tite para defender a seleção principal. E os gols foram de Richarlison, que foi titular do Brasil na Copa América, perdida em pleno Maracanã para a Argentina. O jogador foi um dos destaques da seleção na primeira fase e, como todo time, caiu de produção nas finais.

Mesmo assim, há de se exaltar a estreia da seleção olímpica em Tóquio, que vai dar um ânimo para buscar a segunda medalha de ouro para o Brasil no futebol masculino. Méritos de Jardine. Jornalistas que estão no Japão acompanhando a equipe viram nos gols lances treinados pelo técnico antes da partida de hoje.

No primeiro gol, Matheus Cunha tocou para Antony, que deu ótimo passe para Richarlison. O atacante invadiu a área, chutou forte, Muller defendeu e deu rebote nos pés do jogador do Everton, que abriu o placar para a seleção brasileira. Aos 21, Arana colocou na cabeça do Pombo, que ampliou. Oito minutos depois, fez o terceiro, em passe de Matheus Cunha.

No fim do primeiro tempo, a bola bateu no braço de Henrichs dentro da área. As imagens mostraram o desespero dos alemães, cobrindo o rosto com a camisa e lamentando a possibilidade do quarto gol e goleada do Brasil. Mas Matheus Cunha bateu com força e viu Muller mergulhar e defender.

Richarlison merece o hat-trick. Não só pela bela atuação, mas também pela pessoa que é. Durante a Copa América, por exemplo, era o único de todos os 23 jogadores do elenco principal que fazia questão de todos os dias parar para cumprimentar os torcedores que esperavam na porta do hotel. Tirava foto com todos, um por um. E chegou a dar a camisa de jogo para um deles, que sempre estava lá e havia pedido.

Ainda aproveitou o jogo contra o Peru, pela semifinal da Copa América, para homenagear a ciência brasileira e promover um canal de divulgação científica: o Ciência USP, a editoria de ciência do Jornal da USP. Atitude isolada de um cara consciente em meio a uma seleção repleta de alienados políticos e sociais.

Pouco antes, na madrugada desta sexta, a Costa do Marfim venceu a Arábia Saudita por 2 a 1, no que foi o outro jogo da chave. Os africanos, por sinal, serão os próximos adversários do Brasil nos Jogos de Tóquio. O duelo está marcado para domingo, às 5h30 (de Brasília).

Errata: o texto foi atualizado
O Brasil perdeu a Copa América para a Argentina, não para a Alemanha. O erro foi corrigido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL