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Diego Garcia

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Com Sylvinho, Corinthians se apequena e vira apenas quinta força do Estado

Jô perdeu chance inacreditável contra o Atlético-MG - DANILO FERNANDES/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Jô perdeu chance inacreditável contra o Atlético-MG Imagem: DANILO FERNANDES/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

18/07/2021 04h00

Com elenco limitado e técnico inexperiente - que tem o pior aproveitamento da história da Neo Quimica Arena, inferior a 24% -, o Corinthians é hoje um time pequeno. Virou a quinta força do Estado de São Paulo. O time foi amassado pelo Atlético-MG no segundo tempo na noite deste sábado e perdeu por 2 a 1, de virada, dentro de casa. A derrota só veio confirmar o momento ruim que atravessa o maior campeão paulista.

O clube atualmente não é nem sombra do que foi no passado recente. A realidade bate à porta da equipe que há menos de 10 anos foi a última sul-americana a conquistar o mundo, depois de vencer de forma invicta a Libertadores. O Corinthians multicampeão ficou para trás e hoje chegou ao deprimente patamar de ser considerado inferior aos quatro outros paulistas na primeira divisão.

Todos os outros companheiros de Estado vivem situações melhores. O Bragantino está em ascensão, impulsionado pela parceria com a Red Bull. Hoje, briga pela liderança do Brasileiro e segue vivo na Sul-Americana. Só não foi mais longe no torneio estadual porque deu o azar de enfrentar o forte Palmeiras nas quartas de final. Sobrou quando enfrentou o Corinthians no Brasileirão.

O Santos viveu dois vexames no primeiro semestre, com o quase rebaixamento no Paulista e a queda precoce na Libertadores, campanhas que entraram para a história entre as piores do clube. Mas está dando aval para o trabalho de Diniz, ainda disputa a Copa do Brasil e tem a Sul-Americana de consolo - já venceu o tradicional Independiente no jogo de ida.

O São Paulo, que enfrentava incômoda fila de títulos, espantou o fantasma no estadual. E parece já ter se livrado da ressaca da taça. É questão de tempo para que ultrapasse o Corinthians na tabela. Na Libertadores, tem parada dura contra o Racing, precisando vencer ou empatar com mais de dois gols fora de casa no duelo de volta. Na Copa do Brasil, é favorito contra o Vasco.

O Palmeiras dispensa comentários. É o melhor time do país ao lado do Flamengo e candidato a todos os títulos que disputa. Ainda mais com o retorno de Dudu, ídolo no clube. Entre Brasileiro e Libertadores, tem chances de levar ao menos um. Se não ganhar, briga até o fim. Não é derrotado pelo Corinthians sete jogos, com três vitórias e quatro empates.

Em 20 jogos contra clubes grandes em 2021, o clube do Parque São Jorge ganhou apenas dois. Isso mesmo, dois: uma goleada por 5 a 0 contra o Fluminense em janeiro e vitória por 2 a 0 diante do Santos no Paulista. Empatou outros 10 e perdeu oito. Diante de números tão pífios, o clube tem um aproveitamento horroroso de 26,6% contra grandes clubes na atual temporada.

O técnico Sylvinho esteve em seis dessas partidas. Empatou cinco e perdeu uma. O novo técnico do Corinthians não conseguiu vencer nenhum time considerado maior. O aproveitamento é de 27% contra os mesmos. Se contar apenas partidas na Arena, ele tem média de 23,8% dos pontos, menor até do que Vagner Mancini, que teve 54%. São os dois piores números da história do estádio.

O time do Parque São Jorge está atolado na lama. Eliminado de todos os torneios que disputou, com papelão na Sul-Americana - que o diga o 0 x 6 no placar agregado para o Peñarol, na opinião deste colunista um dos maiores vexames da história do clube -, atropelo na semi do Paulista contra o Palmeiras e eliminação vergonhosa diante do Atlético-GO na Copa do Brasil.

No Brasileiro, está em 12º, mas à frente de São Paulo, Internacional e Grêmio, que devem ultrapassar o time alvinegro no decorrer da competição. Pior do que os resultados em si, a equipe não mostra a mínima evolução. Assistir ao Corinthians hoje dá sono. É terrível. Parecia que o time não poderia ficar pior do que era com Mancini, mas sempre pode piorar. Sempre!

O Corinthians foi amassado pelo time misto do Atlético-MG. Se não fosse por Cássio, seria goleado. Gabriel estava armando o jogo. Gabriel! E Cantillo, o único que sabe armar, de primeiro volante! Como pode também Sylvinho tirar Mosquito, o melhor do time, ainda aos 27 minutos do segundo tempo, com a equipe sendo massacrada? Para colocar Marquinhos? E por que Vitinho estava batendo faltas?

Sylvinho entende muito de bola, foi um bom lateral e me parecia um ótimo auxiliar, mas como técnico efetivo está deixando a desejar. Demora demais para substituir em todas as partidas do Corinthians. O time atuando de maneira sofrível, e o treinador assistindo apático do banco de reservas. Quando o faz, mexe errado. Passa a impressão de que entra para não perder em todos os jogos. E perde!

O clube fechou recentemente com Giuliano, um grande reforço, mas que sozinho não fará nada. Capaz que Sylvinho o deixe na reserva do Gabriel. A verdade é que, com o atual treinador, podem trazer Renato Augusto, Roger Guedes, Paulinho e até o Messi, que nem assim o Corinthians vai deslanchar. É triste, mas hoje o último brasileiro campeão mundial é apenas a quinta força do Estado de São Paulo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL