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Diego Garcia

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

"Sumiço" de casos de covid faz Conmebol parecer filial do governo Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro exibe uma camisa da seleção brasileira ao lado de Neymar, do presidente da CBF, Rogério Caboclo, e do general Augusto Heleno, chefe do GSI - Divulgação
O presidente Jair Bolsonaro exibe uma camisa da seleção brasileira ao lado de Neymar, do presidente da CBF, Rogério Caboclo, e do general Augusto Heleno, chefe do GSI Imagem: Divulgação
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Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

17/06/2021 13h42

Da noite para o dia, o Ministério da Saúde do governo Bolsonaro e a Conmebol "sumiram" com seis infectados das delegações que disputam a Copa América. Seria grande coisa, mas é só mais um dia do descaso enquanto amigos morrem de covid-19. Do outro lado do mundo, a Eurocopa pulsa com público nas arquibancadas.

No comunicado divulgado pelo Ministério da Saúde, o número de casos na Copa América havia aumentado de 52 para 53 na segunda-feira, mas com 26 prestadores de serviços, não mais 19. Entre os jogadores e membros de delegação, o número caiu de 33 para 27.

Oras, como assim seis infectados entre os atletas desapareceram? Foi erro ao computar os casos? Erro de divulgação? Os resultados dos exames estavam errados? Ninguém explica. O ministério culpou a entidade pelo ocorrido. A confederação se calou. Enquanto isso, quem perde são os brasileiros, com a falta de transparência diante da pior crise sanitária de nossa geração.

Vale dizer que tudo aconteceu simultaneamente ao registro de 2.673 mortes de covid-19 em um dia, com a média móvel de óbitos superando os 2 mil nos últimos 7 dias. Ao todo, são 493.837 famílias brasileiras que choraram a perda de pessoas queridas.

E não diga que seis casos de covid não são nada. O Brasil tinha apenas oito casos em 8 de março de 2020, no início da pandemia, quando apoiadores do presidente ainda minimizavam o vírus. Desde então, já foram 17,6 milhões de infectados. Só ontem, mais 85.861.

Conmebol e Bolsonaro caminham de mãos dadas. Antes da Copa América, o governo disse que colocou como condição da realização do torneio a vacinação de todos os membros de delegação, o que por si só já seria um fura-fila absurdo. Voltou atrás uma semana depois.

A questão da vacinação também é pauta na confederação, que vem promovendo a imunização de clubes e cartolas no Paraguai ao mesmo tempo que os hospitais do país estão sobrecarregados e menos de 2% dos paraguaios receberam imunizantes.

Enquanto isso, o torneio é realizado livremente pelo Brasil. Jogos de Libertadores, Brasileirão, Eliminatórias e Copa do Brasil também, é verdade, mas não deveriam. Só que Copa América nem aqui seria. Foi retirada da Argentina pela situação da pandemia, apesar de lá a média de mortes comparada à população ser menor.

Do outro lado do Atlântico, a Eurocopa marca a volta das torcidas aos estádios de futebol. Com limites de público, a presença das pessoas nas arquibancadas é um sinal da vida voltando ao normal. Em comum, altos índices de vacinação nos países sede. E, claro, o fato de estarem bem longe de Bolsonaro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL