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Diego Garcia

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ferj promove negacionismo e alienação com vexame da torcida vip no Maracanã

Torcida do Flamengo em final contra o Fluminense no Maracanã - Alexandre Araújo/UOL
Torcida do Flamengo em final contra o Fluminense no Maracanã Imagem: Alexandre Araújo/UOL
Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

16/05/2021 04h00

Um dia depois de o estado do Rio de Janeiro registrar o 5º maior número de casos (6.931) de Covid-19 confirmados em 24 horas desde o começo da pandemia, a Ferj achou agradável liberar 300 convidados no Maracanã para assistirem à final do Carioca. O show de negacionismo não poderia terminar de outra forma que não fosse com vexame e confusão.

Alguns convidados não se contentaram em serem apenas um bando de privilegiados assistindo jogo de futebol da arquibancada enquanto o país agoniza na pior crise de saúde dos últimos 100 anos. Pensaram que seria bonito discutirem, xingarem e arremessarem objetos, precisando que a polícia militar e seguranças particulares interviessem. Que falta de respeito.

Principalmente porque o distanciamento social e máscara praticamente não existiram no estádio, segundo matéria do repórter do UOL Alexandre Araújo, que foi ao Maracanã para trabalhar. Alguém duvidou que seria desse jeito? Não precisava ser muito inteligente para perceber que simplesmente não é de bom-tom promover esse estorvo no maior campo de futebol do país no meio do caos sanitário.

Os óbitos por Covid-19 vêm em queda, mas o Brasil registrou 2.067 mortes e 69,3 mil novos casos só neste sábado. É muito mais do que em qualquer momento de 2020. Onze municípios do Rio estão sem vagas em leitos de UTI. E 252 pessoas morreram no estado nas últimas 24 horas. Mais vizinhos perderam a vida nos arredores do que tinha gente no Maracanã durante o Fla-Flu.

O que levou a Ferj a esse disparate? Nada surpreende vindo da mesma federação que quer colocar torcida (!!) nas arquibancadas com o vírus mais mortal em quatro gerações à solta. Lembrando que o Fluminense foi contra. Assim como Botafogo e Vasco na Taça Rio. Mas o Flamengo, da diretoria mais bolsonarista do Brasil, é favorável... A Havan e Luciano Hang estão no lugar certo.

Isso tudo enquanto ainda vale o decreto que impede torcedores nos estádios. Só que é na mesma cidade sem lei que primeiro passou pano para uma festinha de 500 bacanas no Copacabana Palace e só deu multa depois da repercussão negativa. Convenhamos também que os alienados da blacktie do hotel de luxo e os uniformizados sem máscara do estádio vazio têm muito em comum.

Parafraseando o amigo jornalista Paulo Júnior no Twitter, centenas de convidados em um Maracanã fechado para o público no auge da pandemia só servem para promover massagem no ego, foto no Instagram, negacionismo e alienação. Sem contar que não traz nada de bom para o ambiente de jogo. É ofensivo, grotesco e antidemocrático. Não é futebol. Gado!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL