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Diego Garcia

REPORTAGEM

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Clube serve marmitex no vestiário e demite atletas que reclamam

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Diego Garcia

Repórter desde 2010, passou por Folha de S. Paulo, ESPN, Terra e Placar. Ganhou dois prêmios Aceesp (2014 e 2016) e foi indicado aos prêmios Comunique-se (2019), República (2017, 2018 e 2021), Folha (2018 e 2019) e Fenacor (2020). Cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas, Mundial de Clubes e outros grandes eventos. Contato: garciadiegosilva@gmail.com

Colunista do UOL

04/05/2021 14h27

Uma situação bizarra ocorreu no futebol do interior de São Paulo. O Rio Preto demitiu por justa causa dois atletas que reclamaram de comer marmitex no vestiário antes de entrar em campo contra o Bandeirante, pela Série A-3 do Campeonato Paulista.

O zagueiro Nino Santos e o atacante Leandro Love, ambos veteranos, foram os alvos das demissões. O primeiro conversou com a coluna, enviou vídeos do momento em que parte do elenco come as marmitas no vestiário e chamou de humilhação a situação ao qual foi submetido, ainda mais em meio à pandemia de covid-19, que exige cuidados higiênicos redobrados.

"Chegamos e nos deparamos com marmitex, sem lugar nenhum para sentar ou higiene, sem nenhum cuidado. É muita falta de respeito. Não posso ver isso e me calar", disse o jogador.

Nino tem 36 anos e passagens por Catanduvense, Guaratinguetá, Campinense, Criciúma, Barueri, Prudente e Penapolense. Também jogou no Kuwait e na Arábia Saudita.

A coluna tentou conversar com o presidente do clube, José Rodrigues, mas ele não respondeu.

Porém, no Facebook do Rio Preto, uma nota assinada pela direção do clube chama os jogadores de "bandidos", "malandros", "aproveitadores" e outros adjetivos pejorativos. Disse também que a comida é "da melhor marmitaria de Rio Preto", que serve o time há dois anos.

Na postagem, a direção confirma a demissão por justa causa e diz que não poderia abrir o refeitório a mando dos fiscais da FPF, mas que os jogadores tinham a opção de comerem "ao ar livre, com tranquilidade, uma lua cheia, o céu estrelado e uma noite muito bonita".

A federação foi procurada para comentar o caso e assim que responder terá sua versão publicada pela coluna.

A diretoria do Rio Preto afirmou ainda que os atletas tentaram um motim, mas não foram acompanhados pelo restante do elenco e quase levaram "uma boa surra". Nino nega a situação e afirma que teve o apoio dos colegas. Ele não descarta ir à Justiça por difamação e calúnia pela postagem.

Os jogadores do Rio Preto ficaram quatro semanas sem se reunir por conta da pandemia e retornaram após a liberação. Então, treinaram dois dias para a partida antes de ocorrer a situação com as marmitas.

O jogo era válido pela Série A-3 do Campeonato Paulista, no estádio Anísio Haddad, em São José do Rio Preto. O Rio Preto acabou empatando sem gols com o Bandeirante. Os dois times estão próximos à zona de rebaixamento na terceira divisão do campeonato paulista.