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Danilo Lavieri

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Melhor no campo, Abel Ferreira lembra cada vez mais Felipão fora dele

Felipão e Abel Ferreira se encontraram recentemente - Cesar Greco/Divulgação/Palmeiras
Felipão e Abel Ferreira se encontraram recentemente Imagem: Cesar Greco/Divulgação/Palmeiras
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

02/07/2022 04h00

O jogo de hoje (2) entre Palmeiras e Athletico coloca frente a frente Luiz Felipe Scolari e Abel Ferreira. O primeiro já é campeão do mundo, consagrado e inclusive treinou o segundo como jogador quando estava no comando de Portugal. Já o português ainda está em início de carreira, mas para muitos já é o melhor da história palmeirense com dois títulos da Libertadores.

Na comparação entre eles, Abel mostra muito mais conceitos táticos e uma estrutura de trabalho mais moderna, até pelo momento em que ele entra para a carreira de técnico e pela estrutura que ele encontra na Academia de Futebol na comparação com 20 anos atrás. Ele impressiona diariamente jogadores do Palestra Itália, que inclusive já disseram publicamente que pela primeira vez sabiam o que fazer em cada situação de jogo.

Curiosamente, alguns desses jogadores foram treinados por Felipão, que apostou em uma nova comissão técnica para se modernizar na parte tática, mas que não conseguiu alcançar o mesmo nível de Abel na hora da prancheta, segundo os próprios atletas. Mas futebol não é feito só disso.

E é saber dessa premissa que tanto aproxima Abel e Felipão. Os dois usam bastante as entrevistas para mandar recados para jogadores, dirigentes, cartolas de federações, imprensa e até para a torcida. Não é à toa que Scolari é o criador do termo Turma do Amendoim, turma essa que tanto irrita Abel até hoje.

Os juízes não são amigos de nenhum desses treinadores, porque ambos protestam e xingam contra quase toda decisão contra a sua equipe. Na hora da coletiva, é comum ouvir os dois falando que "assumem a responsabilidade pela derrota".

Os dois sabem como motivar um grupo, como colocar todos com um objetivo único e de muitas vezes criar a atmosfera do "tudo e todos contra nós". Às vezes é a imprensa, às vezes a rivalidade ou qualquer frase dita por um atleta do adversário. Aquilo será diariamente martelado na mente dos atletas.

Essa característica é muito apontada para lembrar das conquistas de Felipão e às vezes deixada de lado na hora de explicar o trabalho de Abel, mas é determinante no sucesso atual. Os técnicos gostam de usar a expressão "eles correm uns pelos outros".

O técnico do Palmeiras conseguiu fazer Dudu entender que precisa voltar para marcar, fez Scarpa e Rony compreenderem que precisavam jogar fora de posição e tenta explicar aos mais jovens que ganhar uma taça é só o começo e não o final. Foi usando desse respeito conquistado ao longo do trabalho, que conseguiu carta branca para liberar nomes como Patrick de Paula e Renan, queridinhos da torcida.

Na partida, os dois certamente trocarão um abraço longo na frente das câmeras na beira do gramado e provavelmente vão confraternizar também após os 90 minutos. Mas ninguém vai estranhar se eles se estranharem enquanto a bola estiver rolando.

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