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Danilo Lavieri

REPORTAGEM

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Entenda o critério de divisão de dinheiro da Liga que causa controvérsia

CBF vai receber encontro dos clubes no próximo dia 12 para tentar oficializar a Libra - Lucas Figueiredo/CBF
CBF vai receber encontro dos clubes no próximo dia 12 para tentar oficializar a Libra Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL*

04/05/2022 04h00

*Com Igor Siqueira e Rodrigo Mattos, do UOL

O encontro de ontem (3) em São Paulo serviu para que oito clubes oficializassem a entrada na Libra, a nova liga de futebol do Brasil. Novas adesões serão divulgadas em breve, mas ainda há um impasse que impede a entrada dos 40 clubes entre Série A e B: a divisão da grana.

A reportagem teve acesso ao estatuto do novo grupo e explica como funciona cada uma das cláusulas que ainda geram resistência em algumas equipes, especialmente as dez que fazem parte do Movimento Futebol Forte.

É importante destacar que o próprio estatuto define em seu artigo 83 que ainda é necessária a aprovação dos clubes por unanimidade para que essas premissas sejam oficializadas. Ou seja, mesmo os que já assinaram o documento ainda podem contestar e rejeitar o regulamento interno. Os que ainda não entraram poderiam assinar e participar ativamente da discussão para que as regras fossem alteradas.

A divisão das receitas

O estatuto prevê a divisão do que for arrecadado entre os presentes no modelo 40-30-30. Isso significa que 40% do bolo total será repassado de maneira igualitária. Os outros 30% serão divididos de acordo com um critério de desempenho e os outros 30% de acordo com engajamento de cada clube. Há uma corrente que pede que a divisão siga a mesma lógica, mas com a divisão na base 50-25-25.

A tabela de desempenho

Para os 30% que serão distribuídos de acordo com desempenho, há uma tabela explicando como funcionará o pagamento. O primeiro colocado receberá 6% deste total, o vice ficará com 5,67% e esse valor vai descendo até o 16º colocado que ficará com 1%. Os quatro rebaixados ficariam com 0,5% cada. Esse é outro item que ainda está em debate e pode sofrer alterações nas próximas reuniões, porque há os que defendem que a diferença do campeão para o último seja menor, para diminuir as diferenças entre os mais fortes e os mais fracos.

Como medir o engajamento

A divisão por engajamento é a que causa mais discussão, especialmente entre os times que têm menos torcida. A princípio, a rejeição parece ser desnecessária, uma vez que o próprio regulamento diz que os clubes precisarão se encontrar para que o martelo seja batido. A princípio, o estatuto propõe que esse coeficiente seja medido por cinco pilares: média de público nos estádios, base de assinantes dos pacotes de TV e streaming, número de seguidores e engajamento nas cinco principais redes sociais, audiência na TV aberta e tamanho da torcida.

Cada um deles pode ter peso diferente. Por exemplo: a audiência na TV aberta poderia ser colocada como o item mais importante, enquanto o poder nas redes sociais seria o menos relevante. A medição do tamanho da torcida também precisará ser discutida seria feita por uma empresa independente.

Diferença entre Série A e B

No estatuto, está previsto que 85% da receita total ficará com a Série A, enquanto os 15% ficariam com a Série B. Além disso, os times da elite teriam peso 2 nas votações, enquanto os da Segundona teriam peso 1. Há vários clubes que defendem que essa divisão seja feita na base de 80-20.

Valor mínimo garantido

Para evitar que uma equipe saia perdendo muito dinheiro com a mudança logo de cara, a Libra propõe que o período entre 2025 e 2029 tenha o nome de transição. Assim, todos os times que entrarem no campeonato receberiam pelo menos igual à média dos últimos cinco anos de receita auferida por cada participante no Brasileirão. O investidor seria responsável por arcar com essa diferença, caso ela exista.

Se não houver um investidor, o dinheiro sairá do chamado fundo de compensação, financiado por um percentual das receitas auferidas com venda de direitos, que também será definido nas próximas reuniões. Esse fundo também pode servir para incrementar as receitas dos clubes que forem rebaixados e para equilibrar as diferenças entre os que ganham mais e os que ganham menos.

Quando começa?

Depois do encontro de ontem, uma nova reunião está marcada para o próximo dia 12 na sede da CBF, no Rio de Janeiro. A ideia é que até lá os 40 times assinem o documento para oficializar a entrada. Se tudo der certo, o primeiro campeonato organizado pela Libra seria em 2025. A Copa do Brasil e as séries C e D continuariam sendo organizadas pela CBF.

Quem comanda?

A Libra terá uma Assembleia Geral, Conselho Deliberativo da Série A, Conselho Deliberativo da Série B, presidência, secretaria-geral, diretoria executiva, conselho fiscal e comitê de ética. No momento, foi nomeado como diretor executivo interino André Sica, advogado que presta serviços para o Palmeiras, Red Bull Bragantino, Cruzeiro, Grupo City no Brasil entre outros, e Bruno Barbosa Wegmann da Silva, empresário que já trabalhou na Odebrecht e no Maracanã, será diretor operacional interino.

Julio Cesar Casares, presidente do São Paulo, conduziu a reunião de ontem como presidente da Assembleia, enquanto Dulio Monteiro Alves, do Corinthians, foi o secretário da Assembleia.

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