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Por que Copinha tem explosão de atletas cada vez mais jovens

Endrick, jogador do Palmeiras, em jogo contra o Oeste, na Arena Barueri, pela Copa São Paulo 2022 - Diogo Reis/AGIF
Endrick, jogador do Palmeiras, em jogo contra o Oeste, na Arena Barueri, pela Copa São Paulo 2022 Imagem: Diogo Reis/AGIF
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

23/01/2022 10h13

Endrick é o atleta mais famoso desta Copinha. Não só pelo talento que já chamou a atenção do mundo, mas por ter apenas 15 anos. O atacante, no entanto, representa uma tendência que foi muito observada na atual edição que será decidida na terça-feira entre Palmeiras e Santos.

Além da joia palmeirense, que inclusive já desperta interesse de grandes equipes da Europa, outros nomes da geração 2005/06 chamaram atenção, exemplo dos atacantes Pedro, do Corinthians, Rayan, do Vasco da Gama, sem contar jovens de times menores que acabaram aparecendo menos como Luiz, do Perilima (PB), Lucas, do Velo Clube, e Murilo, do Ibrachina.

Neste ano, apesar da Federação Paulista de Futebol ter autorizado a participação de atletas que vão completar 21 anos (para compensar o fato da competição ter sido cancelada no ano passado devido a pandemia de Covid-19), os times optaram por dar rodagem aos garotos que ainda estão distantes de estourar a idade do sub-20.

Júnior Chávare, dirigente de futebol, com experiência em trabalhos voltados à captação e formação de jogadores ao profissional em clubes como São Paulo, Grêmio e Atlético Mineiro, entende que este "boom" de meninos de 15 anos na Copinha de 2022 tem relação com um movimento do mercado e interesse financeiro dos clubes.

"Além dos clubes reconhecerem o talento desses jogadores, há uma estratégia por trás, de converter algum deles em uma venda lucrativa o mais rápido possível. Nos últimos anos, notamos que isso é uma tendência no futebol brasileiro, com os atletas, inclusive, estreando cada vez mais cedo no profissional. Ou seja, os clubes têm a convicção de que o custo-benefício da base será responsável por mantê-los vivos", acrescenta Chávare.

Para Lúcio Rodrigues, gerente das categorias de base do Juventude, os clubes têm buscado dar rodagem aos talentos das categorias inferiores com o objetivo de valorizar ainda mais os atletas. "Quando um jovem de 15 ou 16 anos se destaca em uma competição como a Copa São Paulo, que hoje é a maior vitrine do futebol de base do país, ele ganha notoriedade e, com isso, facilita uma futura negociação", explica.

Na Copinha, o time de Caxias do Sul tinha três jogadores no elenco pertencentes a geração 2005, todos com 16 anos, caso dos atacantes Weliton e Ruan, além do zagueiro Bernardo. Na opinião de Rodrigues, o cuidado dos dirigentes e comissão técnica para esses garotos não queimarem etapas é fundamental.

"Este atleta precisa estar preparado psicologicamente. Eles não podem ser transformados em protagonistas antes do tempo. Neste mundo competitivo que é a Copinha, em uma primeira experiência, esse jogador pode assumir um papel de coadjuvante, para que, aí sim, na próxima edição ele seja o protagonista", conclui o executivo do Juventude.

Gustavo Grossi, gerente das categorias de base do Internacional, afirma que a Copinha deve servir como uma oportunidade para os atletas que ainda estão mais distantes do processo de transição para o time profissional.

"É um torneio de formação. Para aqueles que já estão perto do time principal, não vejo sentido que eles disputem a competição. Nossos destaques do time campeão do ano passado já estão em pré-temporada com o profissional e por isso optamos por utilizar os atletas 2004 que serão os próximos a jogar as competições mais importantes de base do ano", completa.

A realidade no futebol brasileiro é que os atletas estão sendo inseridos no mercado de trabalho cada vez mais cedo. Diante disso, a psicóloga das categorias de base do Fortaleza, Sheyla Gomes, afirma o quão necessário é o acompanhamento de uma equipe multiprofissional e o suporte do departamento psicossocial nesse processo de desenvolvimento.

"Todo atleta convive com momentos de pressão, que podem vir de vários ambientes: família, técnicos, patrocinadores, torcida, companheiros de time e até mesmo do próprio atleta. Cada um lida de forma diferente quando submetido a situações de pressão, para isso é importante que seja feito um acompanhamento para que os jogadores estejam mentalmente preparados para cada desafio", ponderou.

Atletas com menos de 16 anos precisam fazer um contrato de formação e, quando completam essa idade, podem assinar um vínculo profissional que muda depois dos 18.

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