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Danilo Lavieri

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Flamengo repete script egoísta ao ir à Justiça por público no Brasileiro

Rodolfo Landim (foto), presidente do Flamengo, teve atitude mesquinha - Marcelo Cortes/Flamengo
Rodolfo Landim (foto), presidente do Flamengo, teve atitude mesquinha Imagem: Marcelo Cortes/Flamengo
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

04/08/2021 21h06Atualizada em 04/08/2021 21h29

O Flamengo teve atitude egoísta ao entrar com uma liminar para que suas partidas no Brasileirão voltem a ter público. Como já mostrou agora há pouco a CBF, a atitude da equipe carioca quebra um acordo feito por todos os times no início da competição, quando o combinado era que as arquibancadas só voltariam a ter a presença de torcedores quando todos os participantes tivessem a mesma condição.

O objetivo é claro: manter a igualdade para que nenhuma equipe consiga o apoio de público antes do outro. Mesmo que as cidades tenham autonomia em questões sanitárias, é a CBF que determina regras de suas competições. O ponto central da discussão não é se estamos preparados ou não para ter torcida novamente nos estádios, mas a quebra de um pacto entre os times.

Assusta o Flamengo tomar tal atitude justamente no momento em que os clubes tentam se unir para tomar o controle da competição com a criação de uma nova liga. Alguns dos rivais já demonstraram reação contrária à atuação dos cariocas. O ge.com diz que o Atlético-MG pode seguir o mesmo caminho, mas isso ainda não foi oficializado.

Não houve, por exemplo, esse tipo de acordo entre os participantes da Libertadores. Até por isso, cada clube atua como quer na competição sul-americana após o aval da Conmebol. Os flamenguistas foram para Brasília. Os atleticanos entraram em acordo com a prefeitura de Belo Horizonte e por aí vai.

A atitude é parecida com a que teve o rubro-negro no ano passado, quando o clube recorreu à Justiça para que a partida contra o Palmeiras no ano passado fosse adiada. Na ocasião, o Flamengo alegou que não tinha condições de entrar em campo por conta do surto de covid-19 e tentou cancelar a partida.

A discussão desse caso acima não tem como objetivo colocar em pauta se a bola devia ou não rolar durante a pandemia. O ponto é que os flamenguistas haviam concordado com os outros 19 participantes e com a CBF as condições do protocolo para que o Brasileirão voltasse. Havia uma explicação clara sobre quais circunstâncias cancelariam uma partida. E aquele não era o caso.

O portão fechado é um problema para todas as equipes e afeta o bolso de absolutamente todos os times do país. Por que só o Flamengo acha que merece ter uma condição melhor na Série A? Caso o Cruzeiro repita a atitude e tente ser o único com público na Série B, a crítica pode ser estendida ao time mineiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL