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Danilo Lavieri

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Neymar acorda só no 2º tempo, e Di Maria garante festa de Messi e Argentina

Jogadores da Argentina comemoram gol de Di María na final da Copa América contra o Brasil, no Maracanã - Thiago Ribeiro/Thiago Ribeiro/AGIF
Jogadores da Argentina comemoram gol de Di María na final da Copa América contra o Brasil, no Maracanã Imagem: Thiago Ribeiro/Thiago Ribeiro/AGIF
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

10/07/2021 22h51

*Com Gabriel Carneiro, do UOL, no Rio de Janeiro

O longo jejum de 28 anos acabou para Argentina. Acabou também a espera de Lionel Messi para conquistar um troféu com a sua seleção. Os que esperavam ver um confronto de La Pulga com Neymar viram Ángel Di Maria ser o dono da festa com gol no primeiro tempo após falha marcante de Renan Lodi.

Os dois melhores jogadores do continente não conseguiram brilhar os 90 minutos. O argentino ficou sumido durante boa parte do jogo, quando tocava na bola acionava um arsenal de marcação do Brasil. No segundo tempo, chegou a ficar cara a cara com Ederson e furou quase que de maneira inédita. Enquanto o brasileiro só acordou para a segunda etapa. Ele chamou o jogo, partiu para cima dos adversários, arrancou cartões amarelos, mas não conseguiu mudar o placar do Maracanã.

O jogador do PSG terminou a partida, segundo o Sofascore, com mais de cinco faltas sofridas e 70 ações com a bola nos pés, sendo mais de 15 dribles com 80% de precisão de passe, mas nenhuma finalização. Seu ex-companheiro de Barcelona teve pouco mais de 50 ações com a bola, também sem nenhuma finalização certa e apenas dois dribles tentados.

O jogo mostrou o que já é o normal do Brasil. Um sistema de jogo sólido, mas bem dependente de brilho individual, o que quase não aconteceu. Quando isso acontece, o jogo trava e depende muito do camisa 10. Hoje, Lucas Paquetá não esteve em noite inspirada para armar, mais ajudou ao roubar a bola do que para criar. Na segunda etapa, a entrada de Firmino melhorou a circulação de bola, mas não foi o suficiente. Merece crédito também a excelente partida de Rodrigo de Paul, que foi um dos melhores da final, talvez o melhor.

Neymar chamou mais a responsabilidade no segundo tempo, partia do centro para a esquerda, driblou, deu chance clara para Richarlison, que errou a finalização. Do outro lado, Everton Cebolinha foi tão mal que fez o técnico colocar Vinicíus Júnior, que quase não tinha entrado em toda a competição. Tite ainda colocou Gabigol, pressionou os hermanos dentro da área, mas não obteve sucesso. Nos minutos finais, foi um show de cruzamentos e bolas alçadas que mais pareciam desespero.

Depois de conseguir abrir o 1 a 0 na falha de Renan Lodi, a Argentina praticamente abdicou do jogo, tentou poucos avanços e passou a jogar no contra-ataque e na velha e boa catimba argentina. A cada tiro de meta era uma eternidade até a cobrança. O banco do Brasil começou a entrar no desespero e aí foi questão de tempo para a festa argentina no Rio de Janeiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL