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Danilo Lavieri

REPORTAGEM

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Futebol é bom negócio mesmo na pandemia, analisam experts em marketing

Empresas deveriam manter apostas no futebol durante a pandemia, apontam especialistas - Fernando Moreno/AGIF
Empresas deveriam manter apostas no futebol durante a pandemia, apontam especialistas Imagem: Fernando Moreno/AGIF
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

12/06/2021 04h00

Durante a pandemia, o futebol brasileiro se modificou em diversos aspectos: torcida longe dos estádios, mudanças nos modelos de transmissões, problemas com a falta de calendário... Mas no campo dos patrocínios, o mercado continua aquecido. Foram mais de 100 entre renovações e novos acordos na Série A do Campeonato Brasileiro durante 2020 e 2021.

O esporte é uma das maiores paixões mundiais. Com a popularidade, o poder de exposição de uma marca estampada na camisa do clube se multiplica, como nas finais de um campeonato, que superam as barreiras geográficas. Um exemplo, foi a decisão da Libertadores 2019, que alcançou uma audiência potencial de 5 bilhões de pessoas. Com experiência no mercado esportivo, Fernando Lamounier, diretor de marketing da Multimarcas Consórcios, ressalta a força futebolística, mas alerta para a importância das ativações para os acordos:

"Quando falamos em patrocínios, o alcance de pessoas com a mídia tradicional é um grande aliado, mas não pode ser considerada a principal via para inserção no mercado. Para estas parcerias, é preciso um passo a mais, buscar a capitalização e oportunidades para fortalecer o nome da empresa ao chegar no público final. No Atlético/MG, por exemplo, o programa 'Consórcio da Massa' trabalha com este conceito. O intuito é fazer descontos, promoções diferenciadas para os sócios da agremiação", afirmou o executivo.

Na mesma linha de pensamento, Lamounier reitera a importância de um patrocínio estar presente no uniforme de um clube, mas que a visibilidade pode ser maior mesmo sem estar visível na camiseta.

"As relações entre clube e patrocinador não devem ser acomodadas em apenas estampar a logomarca da empresa na camisa. Dentre alguns estudos que analisei, aprendi que clubes podem ter o investimento de diversas empresas. Mesmo que algumas tenham a oportunidade de explorar o espaço na camisa, outras podem se inserir no mercado com ações, cativando os torcedores, conectando o clube à marca e buscando um espaço na memória dos aficionados, sendo até mais viável", completou o diretor.

No campo das promoções, a Casa de Apostas vai realizar uma ação com os torcedores do Bahia durante a edição do Brasileirão 2021. O Projeto Barril Dobrado consiste na participação dos fãs na votação do melhor jogador de cada partida. Entre os que acertarem, será feito um sorteio de uma camisa oficial do clube, um ticket no valor de R$300 para utilização na Plataforma casadeapostas.com e uma miniatura do troféu temático.

"A Casa de Apostas tem como premissa estar sempre presente junto ao torcedor, ainda mais neste momento de pandemia, em que a ausência do público nos estádios afeta essa relação mais próxima. Sempre será o objetivo da nossa empresa gerar novas experiências e ações no futebol, aliado ao mercado de apostas", explicou Hans Schleier, diretor de marketing da empresa.

Com relação aos fornecedores de materiais esportivos, algumas inserções ganharam destaque. No América-MG, por exemplo, a equipe trabalhou em conjunto com a Volt Sport para produzir uma ''pegadinha'' durante o lançamento da nova linha da temporada 2021. No vídeo, camisas fictícias foram apresentadas aos jogadores, que tiveram reações cômicas e geraram um bom conteúdo para as redes sociais.

"O vídeo foi pensado para gerar um impacto entre os torcedores do América e chamar a atenção para a nova camisa do clube. Na minha opinião, ações deste tipo são fundamentais para as marcas atingirem um bom engajamento nas redes e conseguirem converter essa popularidade em vendas", contou Fernando Kleimmann, sócio diretor da Volt Sport.

Com milhares de torcedores, alguns clubes no Brasil possuem fãs espalhados país afora, com perfis diferenciados. Uma base com dados deste grupo de pessoas pode encurtar o caminho para uma boa ação publicitária. Bruno Maia, especialista em marketing e com vasta experiência no mercado esportivo, ressalta a importância de planilhas com informações desta natureza e o poder de mobilização orgânica do futebol.

"Elaborar um estudo para conhecer dados com informações dos apoiadores de uma equipe é extremamente importante para ativações comerciais, ao encontrar o alvo fica muito mais fácil de transformar um projeto em receitas. No futebol, algumas coisas acontecem naturalmente e de forma inexplicável. Recentemente, a torcida do Vasco descobriu a chave PIX do clube e começou a fazer doações, as arrecadações bateram quase R$ 400 mil, a ação começou de forma natural entre os torcedores, mas isso exemplifica como o futebol pode mobilizar massas com pequenas atitudes", explicou o autor do livro "Inovação é o Novo Marketing".

Futebol e negócios caminham lado a lado. O campo empresarial deve respeitar as tradições de uma equipe, entender que a engrenagem pode gerar uma relação próspera para os dois lados. Dentro de campo, os títulos são conquistados com grandes trabalhos esportivos, mas, fora das quatro linhas, as ações não são emplacadas por acaso, é preciso muito estudo para levantar um troféu e botar a medalha no peito.