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Danilo Lavieri

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Caso Luiz Adriano prova que só bolha resolve e pode ser pesadelo para FPF

Luiz Adriano, durante treino do Palmeiras, em Doha, no Qatar - Cesar Greco
Luiz Adriano, durante treino do Palmeiras, em Doha, no Qatar Imagem: Cesar Greco
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

06/04/2021 21h20

O caso de Luiz Adriano infectado com covid-19 pela segunda vez é mais uma evidência que só uma bolha de verdade é eficiente para que um campeonato continue com o mínimo de risco possível. O jogador testou positivo para a doença no último dia 1º de abril e, mesmo assim, saiu de casa para ir ao supermercado com a sua mãe.

Em uma pandemia como essa, é impossível ter certeza que os atletas cumpram as recomendações médicas e, com isso, é impossível saber se eles não vão colocar em risco os seus colegas de time, os funcionários do clube, os rivais e todas as outras centenas de pessoas que são mobilizadas para que uma partida seja disputada.

E aqui nem vou entrar na irresponsabilidade que o jogador comete com as pessoas que são próximas a ele e com as pessoas que estavam no supermercado e em outros lugares onde Luiz Adriano esteve.

O melhor exemplo que tivemos até hoje no mundo dos esportes é a NBA, com uma eficiente bolha onde as pessoas ficavam concentradas dentro de um resort, com controles rígidos de entrada e saída e testes a todo momento. No modelo atual, além de os atletas já terem dado provas que não respeitam o isolamento, há aqueles funcionários de todos os departamentos que passam hora no transporte público e também correm risco.

O exemplo de Luiz Adriano ainda é um pesadelo para a Federação Paulista de Futebol. Enquanto os campeonatos pelo Brasil conseguem a autorização dos respectivos governos locais para voltarem, o Estadual de São Paulo ainda aguarda aval do Ministério Público e do Governo.

A segunda infecção do atacante palmeirense é um exemplo claro para que as autoridades mantenham a régua de exigência lá no alto contra a doença. Para piorar, os números de vítimas estão longe de apresentar queda consistente em São Paulo, item obrigatório para que a bola volte a rolar no principal estadual do país.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL