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Danilo Lavieri

Palmeiras mantém evolução porque deslocou Lucas Lima e tirou Bruno Henrique

Lucas Lima durante treino do Palmeiras na Academia de Futebol - Cesar Greco
Lucas Lima durante treino do Palmeiras na Academia de Futebol Imagem: Cesar Greco
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

11/09/2020 09h51

A mudança no jeito de formar o meio-campo é considerada chave pela comissão técnica do Palmeiras para a evolução do time nos últimos dois jogos, diante de Red Bull Bragantino e Corinthians. Deslocar Lucas Lima e tirar Bruno Henrique foram decisões de Vanderlei Luxemburgo que se mostraram acertadas.

Pela primeira vez no Brasileirão, é possível falar que o Alviverde evoluiu no seu jeito de jogar por duas rodadas consecutivas. Antes do clássico de ontem, a melhor partida até então tinha sido contra o Santos, mas que foi sucedida por péssimas apresentações contra Bahia e Internacional. Agora, depois de uma bem leve evolução diante do Braga, apresentou uma melhora satisfatória contra o arquirrival.

O segredo é descentralizar Lucas Lima. O camisa 20 agora tem espaço para jogar saindo do meio e caindo para os lados do campo. É importante destacar que esse posicionamento é diferente do que já foi testado por outros comandantes que colocaram o meio-campista de ponta e não tiveram sucesso.

Movimentação de Lucas Lima diante do Bragantino e Corinthians - Reprodução/Sofascore - Reprodução/Sofascore
Movimentação de Lucas Lima diante do Bragantino e Corinthians
Imagem: Reprodução/Sofascore

A mudança fez Lucas Lima crescer, como mostram as estatísticas do Sofascore: sua média de toques na bola no Brasileirão é de 47,6, mas nas duas últimas partidas o número saltou consideravelmente para 64 diante do Red Bull e 64 contra o Corinthians. Sua média de passes decisivos é de 1,3, sendo que só contra o arquirrival ele deu 4.

"Agora, encontrei um espaço bom para o Lucas Lima. Hoje ele está num espaço que consegue dominar, pensar o jogo. Gosto de velocidade. O Lucas tem treinado bastante. Pena que tem a pandemia e ninguém pode ver os treinamentos, o quanto tem se dedicado. Eu dei uma girada na equipe. Encontrei espaço onde o Lucas pode flutuar sem ter alguém no cangote dele. Ele tem possibilidade de puxar a bola para dentro, olhar quem está na frente dele, virar a jogada...Consegue chegar na frente, virar jogo, está num espaço do campo diferente que estava um tempo atrás. Encontrei um jeitinho para ele, e ele gostou desse jeitinho de jogar", falou o comandante ontem após o triunfo em Itaquera.

Com Lucas Lima deslocado para os lados e com a saída de Bruno Henrique, o meio-campo ganha um espaço para a transição rápida feita por Gabriel Menino, Patrick de Paula e Zé Rafael. Com a mudança, Luiz Adriano sai constantemente da área para fazer o papel de 10 em algumas ocasiões, servindo o segundo atacante que aparece em velocidade para a infiltração.

Gabriel Menino, aliás, continua também caindo mais pelos lados do que se acostumou a fazer nas categorias de base. Ele tem sido a alternativa para a falta de apoio que Mayke dá no ataque.

Essa foi uma das alternativas encontradas por Vanderlei Luxemburgo para melhorar a criatividade de um time que não pode confiar nos meias há muito tempo. Raphael Veiga, Gustavo Scarpa, Guerra e o próprio Lucas Lima são exemplos de atletas que ainda não conseguiram dar o retorno esperado quando foram contratados.