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Palmeiras não tem elenco e padrão tático para usar "mistão" em alto nível

Egídio e Raphael Veiga disputam bola na partida entre Fluminense x Palmeiras - Thiago Ribeiro/AGIF
Egídio e Raphael Veiga disputam bola na partida entre Fluminense x Palmeiras Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

12/08/2020 23h20

Menos de uma semana depois de ser campeão do Paulista, o torcedor do Palmeiras encontrou uma dura realidade nesta quarta-feira (12). Em um jogo sofrido com o Fluminense, o Alviverde mostrou que não tem elenco e nem padrão tático para poder mesclar o time titular durante o Brasileirão se quiser sonhar com o título.

O resultado mantém os palmeirenses sem vencer nenhum time de Série A durante toda a temporada. O desempenho deixou claro que o time ainda não tem uma solução para a criatividade no meio, com Bruno Henrique extremamente abaixo do ideal, com Zé Rafael e Veiga com raros lampejos de bons jogadores, para nem falar de mais uma péssima apresentação de Rony. No aspecto tático, ainda vemos um ideia pouco consolidada.

Vitor Hugo, Luan e Jailson não chegam a comprometer, mas têm desempenho menos seguro do que tem o time quando estão escalados Weverton, Felipe Melo e Gustavo Gómez, que não atuaram hoje. Pontos positivos para Viña e Marcos Rocha, que foram bem, Gabriel Menino, que buscou jogo apesar de sentir a falta de Patrick de Paula, e para Luiz Adriano, que fez mais um.

Vanderlei Luxemburgo não deveria usar o time misto para justificar o resultado, até porque o nível do rival carioca não é dos maiores. O Fluminense ainda não venceu nenhuma depois da volta do futebol durante a pandemia de coronavírus. Antes de hoje, o time de Odair Hellman havia entrado em campo sete vezes, com quatro derrotas e três empates, o que significa um desempenho de 14,3% dos pontos.

O maior troféu do Tricolor das Laranjeiras até aqui foi o de poder ter desafiado de perto o Flamengo nas finais do Estadual. E é óbvio que essa "conquista" vai ficar longe de alegrar o seu torcedor. Da mesma forma que o palmeirense também já volta a dar espaço nos pensamentos para as dúvidas em relação ao que verá em 2020.

O título do Paulista serviu para dar ânimo para o Palmeiras, serviu para impedir o tetra do Corinthians e, consequentemente, virou munição na hora da brincadeira com o torcedor arquirrival. Serviu também para dar fôlego aos garotos que começam a surgir agora. Mas não deveria servir como um parâmetro para a diretoria que almeja título do Brasileirão.

Ganhar do Corinthians foi importante, nenhum torcedor vai reclamar da forma da conquista, mas a verdade é que o Alviverde não fez nenhuma apresentação que levantasse o torcedor da poltrona neste ano. A melhor delas após o retorno do futebol foi justamente contra a Ponte Preta, quando Patrick de Paula e Gabriel Menino foram os destaques.

O uso da base em 2020, aliás, é a notícia mais positiva para o torcedor palmeirense e a melhor coisa que o trabalho de Vanderlei Luxemburgo apresentou até agora. Até porque, convenhamos, outros treinadores como Felipão também poderiam ter usado garotos, mas optaram por apelar para o poderio financeiro palmeirense que também já foi maior. Mas só isso não serve para que o torcedor sonhe em voos mais altos para esta temporada.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.