PUBLICIDADE
Topo

Palmeiras muda atuação nos bastidores para enfrentar Corinthians na final

Éderson e Zé Rafael disputam bola durante Corinthians x Palmeiras, na primeira final do Paulistão 2020 - Cesar Greco/SE Palmeiras
Éderson e Zé Rafael disputam bola durante Corinthians x Palmeiras, na primeira final do Paulistão 2020 Imagem: Cesar Greco/SE Palmeiras
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

08/08/2020 04h00

Ao menos nos bastidores, o Palmeiras mudou a postura para enfrentar o Corinthians na final do Paulista hoje, a partir das 16h30, no Allianz Parque. Ainda não é possível saber se a troca no roteiro surtirá efeito, mas tudo isso é reflexo da pressão de torcida, conselheiros e diretores quando o assunto é dérbi.

Tão logo a final foi confirmada, o Alviverde já começou a adotar o tom de pressão fora de campo. Edu Dracena fez o "tiro de advertência". Antes mesmo de qualquer definição, o assessor técnico já deu entrevista cobrando atenção em relação ao árbitro que seria escolhido e usou termos como "a gente sabe o que acontece no futebol..".

No dia seguinte, na reunião da Federação Paulista de Futebol, foi a vez de Maurício Galiotte mostrar indignação com o fato de Andrés Sanchez não querer fazer exames de covid-19 em seus atletas. O detalhe é que o Alviverde também não estava rigorosamente em dia com o protocolo criado para a retomada do campeonato.

O episódio foi o suficiente para, ao menos externamente, servir de exemplo de distanciamento na relação entre as diretorias. Se estavam alinhadas em boa parte do tempo durante o ápice da crise da pandemia, agora, estão distantes e fazem questão de destacar que acreditam em valores diferentes.

Agora, para a segunda final, a diretoria também fez questão de mostrar que não tinha sido de acordo com a mudança na hora da escolha dos árbitros. No começo do ano, Palmeiras e Santos foram contra o fim do sorteio para definição dos juízes. Do outro lado, Corinthians e São Paulo foram a favor.

A principal organizada do Alviverde, que dias antes tinha tido autorização da diretoria para entrar na Academia de Futebol para um papo exclusivo com o elenco, foi à sede da FPF para protestar contra a escolha de Luiz Flávio de Oliveira levando a faixa: "cadê o sorteio?".

A visita dos organizados ao CT, aliás, também faz parte de uma mudança de comportamento de bastidores da diretoria com o elenco. A atual gestão recebe duras críticas pela postura do time em clássicos com o Corinthians. A frase "o Palmeiras desaprendeu a jogar dérbi" é repetida com frequência nas Alamedas do Palestra Itália.

Para mudar isso, além da conversa com os organizados, o grupo recebeu um recado especial de Maurício Galiotte por meio de Vanderlei Luxemburgo. O objetivo era avisar que "não era só mais um jogo". O Palmeiras não fez questão de esconder que houve essa cobrança. Nos últimos 13 jogos, os palmeirenses venceram apenas duas.

Resta saber se a mudança de postura nos bastidores refletirá também nos jogadores dentro de campo. Na partida de ida, o time mostrou mais vontade do que o que foi apresentado na primeira fase, quando o Alvinegro saiu vitorioso e fez os portões da sede social do Palmeiras amanhecerem quebrados.

Do outro lado, o Corinthians mantém a estratégia que tem se mostrado vencedora até aqui. Sempre como "azarão", o Alvinegro joga sempre o favoritismo nos rivais e apela para a mesma receita que já trouxe o tri do Paulistão: crescemos na hora do mata-mata.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.