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Clodoaldo Silva

Impossível não falar sobre Jogos Olímpicos e Paralímpicos

ISSEI KATO
Imagem: ISSEI KATO
Clodoaldo Silva

Clodoaldo Silva é o primeiro ídolo do esporte paralímpico brasileiro. Um dos maiores nadadores do mundo, é dono de 14 medalhas (6 ouros, 6 pratas e 2 bronze) paralímpicas. Também é palestrante, empresário, atuante na área de inclusão das pessoas com deficiência e comentarista do esporte paralímpico.

28/01/2021 15h28

Eu já falei aqui na minha coluna sobre a imprevisibilidade dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, mas me parece que o Comitê Organizador dos Jogos não vai ceder e irá realizar as competições, com "total segurança", conforme vem prometendo.

Por outro lado, pesquisas indicam que a maioria da população do país é contra a realização das competições. Eu estou acreditando que os eventos vão realmente acontecer. Mesmo porque, pelo planejamento do governo do Japão, a vacinação da população irá começar no fim de fevereiro. Eles irão receber 310 milhões de doses da vacina da Pfizer, Moderna e AstraZeneca, o suficiente para imunizar todos os 126 milhões de moradores do país.

Uma coisa é certa, esses Jogos já irão entrar para a história como uma exceção. Primeiro foram adiados, depois vários eventos classificatórios também foram adiados. Em meio a esse cenário, eu sempre me pergunto: como será o nível da competição?

Eu sei que parece loucura, mas os Jogos Olímpicos e Paralímpicos desse ano não serão focados em competição. O mundo continua em crise. Países lutam pela vacina. No Brasil, apesar de já termos começado o processo, problemas políticos têm se sobressaído. É difícil prever quando todos serão vacinados por aqui.

Temos que ver as competições como grandes oportunidades de dar alegria ao povo e de mostrar ao mundo que pessoas podem resistir a uma crise e se reinventarem. Basta que elas tenham um propósito e metas definidas para seguir. E, mesmo no meio do furacão, a gente tem notícias do quão dedicados têm sido os atletas mundo afora.

Apesar da afirmação do Comitê Organizador de que está fora de cogitação um novo adiamento, pairam dúvidas sobre a presença ou não do público. Segundo Toshiro Muto, CEO dos Jogos de Tóquio, essa decisão só será tomada na primavera (período de março a junho, no Hemisfério Norte).

Quem um dia imaginaria que houvesse a possibilidade de se realizar os Jogos sem público? Ainda temos o revezamento da Tocha Olímpica e Paralímpica. O Comitê já afirmou anteriormente, que os eventos terão transmissão online e distanciamento social.

Na última semana, também tivemos a notícia sobre a divisão que ocorrerá entre os atletas. Os vacinados terão liberdade de circular pelo evento. E quem não estiver imunizado ficará confinado antes de competir.

Nesta quarta-feira (27), a organização do evento confirmou o adiamento do primeiro evento-teste dos Jogos Olímpicos de Tóquio por causa da pandemia do coronavírus. O Pré-Olímpico Mundial de Nado Artístico, agendado inicialmente para ocorrer entre os dias 4 e 7 de março, pode ser realizado no início de maio.

A cada semana teremos mais e mais rumores e notícias sobre os eventos. Em um ano olímpico e paraolímpico normal, a gente estaria falando de assuntos, como rendimento, resultados, classificatórios. Mas, infelizmente, muitas outras questões estão na frente dessas.

Uma coisa é certa, ainda sem acontecer, os Jogos Olímpicos de Tóquio já entraram, de uma vez por todas, para a história. Daqui a 50, 60, 100 anos, tudo que estamos passando estará registrado nos livros e será contado por quem ainda estiver vivo. No meio do desafio de viver, nós ainda colocamos esperança no esporte e no bem que ele pode fazer para o mundo. Espero ansioso pelos desdobramentos da história. Vocês também, né?

Abraços aquáticos a todos e excelente quinta-feira!