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Inesquecíveis: há quatro anos ocorriam os Jogos Paralímpicos Rio-2016

Clodoaldo Silva acende a pira paraolímpica - REUTERS/Sergio Moraes
Clodoaldo Silva acende a pira paraolímpica Imagem: REUTERS/Sergio Moraes
Clodoaldo Silva

Clodoaldo Silva é o primeiro ídolo do esporte paralímpico brasileiro. Um dos maiores nadadores do mundo, é dono de 14 medalhas (6 ouros, 6 pratas e 2 bronze) paralímpicas. Também é palestrante, empresário, atuante na área de inclusão das pessoas com deficiência e comentarista do esporte paralímpico.

10/09/2020 16h04

Parece que foi ontem! Ainda consigo escutar a torcida brasileira nas arquibancadas. Inesquecível em vários sentidos. Ficamos em 8º lugar no quadro geral de medalhas, ajudamos o nosso país a conhecer de perto as Paralimpíadas, o público lotou as competições e deixamos um legado para as pessoas com deficiência.

Nós conseguimos subir em 72 pódios no Rio 2016, recorde da história brasileira nas Paralimpíadas, sendo 14 ouros, 29 pratas e 29 bronzes, 65% a mais do que na edição de Londres. Os números são expressivos também quando pensamos em quantidade. Enquanto 42 atletas foram medalhistas em Londres 2012, 113 subiram ao pódio no Rio. Destes, 15 tinham menos de 23 anos. Os brasileiros também registraram 93 melhores marcas e tempos da carreira, quebraram 12 recordes das Américas e um mundial, com Daniel Dias, na natação. O sucesso também pode ser visto pela diversidade de modalidades. No total, o país foi ao pódio em 13 modalidades, sendo quatro inéditas: canoagem, ciclismo, halterofilismo e vôlei sentado.

E não foram só os atletas que bateram recordes, o povo brasileiro correspondeu. A sociedade abraçou os Jogos. Em todo o evento Rio 2016, incluindo os Jogos Olímpicos e os Paralímpicos, o dia em que o Parque Olímpico da Barra recebeu mais visitantes foi 10 de setembro, primeiro sábado da Paralimpíada, com 172 mil pessoas.

Clodoaldo Silva, Joana Neves, Susana Schnarndorf e Daniel Dias - Washington Alves/MPIX/CPB - Washington Alves/MPIX/CPB
Os nadadores Clodoaldo Silva, Joana Neves, Susana Schnarndorf e Daniel Dias foram prata no revezamento 4 x 50 metros livre misto na Rio 2016
Imagem: Washington Alves/MPIX/CPB

Não dá para medir a influência desses resultados em todo o Brasil, mas eu acredito que os Jogos Rio-2016 foram muito além de pódios. Fazer as pessoas com deficiência sair de casa e começarem a praticar esporte ou a se mostrarem nas ruas para mim é uma meta que não tem como ser medida. E tenho certeza que muitas pessoas começaram a pisar nas calçadas e a ver suas deficiências de outra forma por causa do reflexo positivo dos Jogos.

Por outro lado, as pessoas, sejam elas com ou sem deficiência, conheceram melhor as modalidades, criaram vínculos com os atletas, torceram por nós. E, principalmente, entenderam mais as nossas deficiências e começaram a entender que deficiência e "coitadismo" são coisas bem diferentes uma da outra.

Outro legado dos Jogos, como bem diz o atual presidente do CPB é o Centro de Treinamento Paralímpico. Temos um dos maiores centros paralímpicos do mundo. Espaço físico adequado, tecnologia e aplicação da ciência à atividade esportiva.

Consolidação

Clodoaldo Silva anunciou sua aposentadoria das piscinas - REUTERS/Carlos Garcia Rawlins - REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
Imagem: REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Ainda existe muito para ser alcançado, mas a consolidação do esporte paralímpico tem ocorrido aos poucos. Costumo dizer que a partir de Sydney as coisas começaram a mudar. Porque o Brasil começou a ter mais acesso à informações sobre o esporte para pessoas com deficiência.

Em 2000, o então presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro o João Batista Carvalho e Silva investiu em um plano de comunicação que priorizou convidar jornalistas de veículos impressos de vários locais do Brasil para participarem da cobertura dos Jogos.

Quatro anos depois, em Atenas, quando eu conquistei seis ouros e uma prata, o CPB seguiu o mesmo caminho da política de comunicação. Só que desta vez, levou uma equipe de âncoras das principais emissoras do país e, separadamente, deu condições para que todos eles enviassem material para suas empresas diariamente.

Eu tenho muito orgulho de fazer parte do fortalecimento do esporte paralímpico no Brasil. A partir de Atenas tudo mudou. Pessoas que nunca tinham escutado sobre o esporte paralímpico tiveram a oportunidade de ver minhas conquistas e de outros brasileiros que lá estavam. Quando cheguei no aerporto de São Paulo fui recebido por uma série de fãs. Inacreditável!

A Lei Agnelo Piva também permitiu um maior investimento financeiro no esporte paralímpico o que também contribuiu para chegarmos até aqui. E o fato dos Jogos ocorrerem no nosso país também foi um divisor. A visibilidade foi muito grande.

Ainda temos muito para avançar. Precisamos dar mais estrutura aos nossos clubes e fazer um trabalho de base maior, investir muito em acessibilidade e inclusão, ter mais diversidade na mídia, ter educação inclusiva e entender, cada vez mais, que o esporte é uma ferramenta incrível para tirar pessoas de dentro de casa.

Para finalizar, no Rio eu conquistei minha última medalha e me aposentei. E foi lá também que fui escolhido para acender a pira paralímpica. Lógico que para mim é inesquecível também. Hoje consigo entender a dimensão do que ocorreu no esporte paralímpico quando vejo a minha vida transformada. Tenho certeza de que estamos no caminho certo! É muito bom fazer parte dessa história!

Boa quinta-feira e abraços aquáticos para todos!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.