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NBA: mais importante que ser campeão é ser humano

Sterling Brown e George Hill, jogadores do Milwaukee Bucks, leem manifesto após boicotar partida dos playoffs da NBA - Jesse D. Garrabrant/NBAE via Getty Images
Sterling Brown e George Hill, jogadores do Milwaukee Bucks, leem manifesto após boicotar partida dos playoffs da NBA Imagem: Jesse D. Garrabrant/NBAE via Getty Images
Clodoaldo Silva

Clodoaldo Silva é o primeiro ídolo do esporte paralímpico brasileiro. Um dos maiores nadadores do mundo, é dono de 14 medalhas (6 ouros, 6 pratas e 2 bronze) paralímpicas. Também é palestrante, empresário, atuante na área de inclusão das pessoas com deficiência e comentarista do esporte paralímpico.

27/08/2020 16h42

Em ato histórico, os atletas do Milwaukee Bucks boicotaram na tarde desta quarta-feira (26/08) uma partida dos playoffs da NBA. O protesto foi contra a violência policial sofrida por Jacob Blake, que foi alvejado pelas costas na frente dos seus filhos no último domingo, em Wisconsin. As imagens rodaram o mundo e os noticiários esportivos foram tomados pelo ato dos atletas. Eu sempre digo que mais importante do que ser campeão é ser humano. Não existe jogo se não existir vida. Aliás, não existe nada se não existir vida.

Não poderiam existir porta-vozes melhores contra o racismo do que Lebron James, Jamal Murray, DeMar DeRozan, Donovan Mitchell —todos homens negros, famosos, ricos, jogadores da NBA e, mais uma característica que não pode faltar, conscientes do seu papel em frente à sociedade e às lutas contra o racismo. Afinal, do que vale ter um nome, mil carros e ter sucesso se ele não serve para o bem social? Para se unir ao povo por condições melhores, para se colocar no lugar do outro e, é lógico, para ajudar o outro.

Na linha de frente a favor do boicote, uma voz forte que já enfrentou até Donald Trump. Ele, Lebron James, menino que teve a infância pobre e foi abandonado pelo pai. Ele sabe que sua função é muito maior do que ser um jogador de basquete. Isso tudo faz parte da sua história. Cresceu vendo os negros sofrerem a desigualdade, a violência. Como não se importar?

Ninguém imaginava que no século XXI ainda enfrentaríamos brutal ataque contra negros, um caso atrás do outro. Nunca é demais dizer as palavras do mestre Martin Luther King Jr. — que ainda fazem muito sentido hoje. "Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter". Até quando esse pensamento dele será um sonho?

Sem repostas para muita coisa, mas orgulhoso de ver os atletas com uma voz unificada em prol de toda uma comunidade, a gente vai seguindo no meio de um pesadelo, que às vezes, parece não ter fim. A dívida que o mundo tem com os negros não tem como ser quantificada. Ainda outro dia eu falava: vivemos momentos sombrios em que as ideologias políticas e a escolha religiosa colocam em grande visibilidade posições radicais. As vidas dos negros importam. Esse boicote dos Bucks não é só justo, como é glorioso. Como não exigir mudanças? Respeito? Amor? Igualdade?

A questão aqui não é como, nem quando. Mas porquê!

Excelente quinta-feira e abraços aquáticos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.