PUBLICIDADE
Topo

Em tempo de pandemia, Comitê Paralímpico faz golaço pela inclusão

Jogo de Futebol de 5 (para cegos), entre Brasil e China, pela semifinal dos Jogos Paralímpicos do Rio-2016 - Marcio Rodrigues/MPIX/CPB
Jogo de Futebol de 5 (para cegos), entre Brasil e China, pela semifinal dos Jogos Paralímpicos do Rio-2016 Imagem: Marcio Rodrigues/MPIX/CPB
Clodoaldo Silva Clodoaldo Silva

Clodoaldo Silva é o primeiro ídolo do esporte paralímpico brasileiro. Um dos maiores nadadores do mundo, é dono de 14 medalhas (6 ouros, 6 pratas e 2 bronze) paralímpicas. Também é palestrante, empresário, atuante na área de inclusão das pessoas com deficiência e comentarista do esporte paralímpico.

Clodoaldo Silva

30/07/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Qual o melhor legado podemos deixar? Não é só sobre esporte paralímpico é sobre o bem social e a busca por mais direitos das pessoas com deficiência.

Na semana passada, eu falei muito sobre a importância do esporte para o desenvolvimento social. Hoje, quero continuar neste assunto, mas quero falar especificamente sobre o esporte paralímpico.

Nós sabemos que o movimento paralímpico é uma ferramenta fortíssima para a inclusão das pessoas. O poder do ídolo, a visibilidade dos esportes, as conquistas, as histórias de vida e muito mais... Todos esses elementos podem influenciar a vida das pessoas com e sem deficiência.

Sem tratar a coisa como superação nem só como alto rendimento. É usar a credibilidade do esporte em prol do bem social e em busca de melhorar os direitos das pessoas com deficiência.

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) tem lançado ações que priorizam a inclusão e a acessibilidade das pessoas em geral, não só daquelas que querem ser atletas. Conforme me explicou Alberto Martins, diretor-técnico da instituição, essa é uma marca significativa dessa gestão.

A plataforma Movimente-se, implantada pelo CPB durante a pandemia, é um dos exemplos. As aulas online e gratuitas são consideradas um sucesso por Alberto. A plataforma já atingiu quase 230 mil acessos. "Esse é um dos pilares dessa gestão. Estamos pensando em inclusão das pessoas com deficiência em todas as suas vertentes", afirma o diretor.

Fábio Dias, treinador da seleção brasileira de atletismo, grava aula para a plataforma Movimente-se  - CPF/Divulgação - CPF/Divulgação
Fábio Dias, treinador da seleção brasileira de atletismo, grava aula para a plataforma Movimente-se
Imagem: CPF/Divulgação
E não para por aí. Depois desta experiência, o CPB adianta que a plataforma também irá disponibilizar ações de capacitação, educação e auxílio às pessoas com deficiência, visando também ajudar esse público, por exemplo, se preparar para o mercado de trabalho.

Pensar no bem social e fazer o bem social não é só moda, faz parte de um olhar mundial voltado para o real valor das instituições e das pessoas. Utilizar a credibilidade e reputação organizacional ou pessoal em prol do outro é algo que deve se tornar corriqueiro.

Na realidade, uma instituição que desenvolve uma ação como essa está agregando valor a si mesma. Quem saí ganhando mais nisso tudo? As pessoas. As do CPB, as da sociedade em geral, as pessoas com deficiência... E por aí vai... Priorizar a inclusão é priorizar muitas pessoas.

Se a gente for pensar, no Brasil temos cerca de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Se considerarmos as pessoas ligadas a elas o número mais que dobra.

Uma ação dessa ou outras que têm em primeiro lugar o bem-estar das pessoas em plena pandemia, não tem como quantificar. Não tem preço.
Manter pessoas com deficiência ativas é importante neste momento, ainda mais quando elas já têm uma limitação e dificuldade para sair de casa.

Agora, elas não podem sair mesmo. A prática de exercício físico é imprescindível não só para movimentar o corpo, mas a mente também. Comitê fez um Golaçoooooooooo!

Tenho certeza de que o verdadeiro sentido do esporte paralímpico, pensado e lançado exatamente há 72 anos, em 1948, pelo senhor senhor Ludwig Guttmann, tem se reinventado a cada dia.

E nós, atletas de alto rendimento do Brasil temos muito orgulho de ver a nossa entidade maior pensar em um modelo amplo de gestão — antes de sermos atletas ou de nos envolvermos com o esporte, somos pessoas com deficiência. E como nem todos os deficientes querem ser atletas, vamos ajudar que eles sejam, em primeiro lugar, cidadãos respeitados e que tenham oportunidades iguais para se destacarem como tal. Nunca é só sobre o esporte! É sobre muito mais do que isso!

Boa quinta-feira e abraços aquáticos para todos!