PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Campo Livre


Zaidan: Fase de grupos da Libertadores começa com sete times brasileiros

O Guaraní (PAR) derrubou o Corinthians, mas há sete brasileiros na disputa pela Libertadores 2020 - REUTERS/Amanda Perobelli
O Guaraní (PAR) derrubou o Corinthians, mas há sete brasileiros na disputa pela Libertadores 2020 Imagem: REUTERS/Amanda Perobelli
Claudio Zaidan

Claudio Zaidan é radialista há 44 anos. Em São Paulo, trabalhou nas rádios Jovem Pan e Trianon. Entrou na Rádio Bandeirantes em 1994, onde ficou por cinco anos. Voltou para Bandeirantes em 2001, onde atualmente é comentarista.

02/03/2020 04h00

Fase de grupos da Libertadores começa nesta semana. Haverá time brasileiro em campo na terça, na quarta e na quinta.

O Santos, que está no grupo G, tem, logo de cara, um desafio considerável: jogará amanhã (3) contra o Defensa y Justicia, na Argentina. O clube da pequena Florencio Varela, na região metropolitana de Buenos Aires, ficou em segundo lugar no campeonato argentino de 2018-19, vencido pelo Racing.

Há menos de dois meses, Hernán Crespo foi contratado para comandar o time, prepará-lo para a grandeza da Libertadores. É claro que Crespo ainda é mais conhecido pelos muitos gols que fez, mas seu trabalho no Banfield foi bom. Na atual Superliga Argentina, o Defensa está muitos pontos atrás de River e Boca, mas não demasiadamente longe de uma posição que lhe garanta vaga na Libertadores do ano que vem.

A encrenca seria bem menor se o Santos estivesse em nível próximo ao que mostrou no Brasileiro do ano passado. O time deve melhorar quando Sánchez, Soteldo e Marinho jogarem o que podem. A contusão de Marinho, logo no início do Paulista, foi problema considerável para o Jesualdo. Mas ainda há muita coisa para ser arrumada na defesa, quase inteiramente diferente da que foi dirigida por Sampaoli. Além do Defensa y Justicia, o Santos, nesta fase, terá pela frente o Delfín, campeão equatoriano, e o tradicional Olímpia, do Paraguai. Não haverá facilidades.

Também nesta terça, Athletico Paranaense e Peñarol se enfrentarão em Curitiba. Não são muitos os clubes que têm, na Libertadores, história comparável à do Peñarol, dono de cinco títulos continentais. Mas os troféus internacionais parecem, nestes dias, inatingíveis para o clube que teve Pedro Rocha, Spencer, Figueroa, Pablo Forlán, Mazurkiewicz, Maidana, Máspoli, Ghiggia, Schiaffino e Obdulio Varela. Hoje, o maior campeão do Uruguai (50 títulos, três a mais que o Nacional) tem orçamento e elenco modestos.

Pablo Forlán, aliás, está de volta ao Peñarol, agora como assistente de Diego, seu filho, que foi contratado em janeiro deste ano para treinar o time. Terceiro maior artilheiro da história da Celeste, Diego cansou de chutar bola e estreia como técnico no clube pelo qual seu pai foi campeoníssimo.

O Athletico, além de perder Tiago Nunes, não tem mais Bruno Guimarães, Léo Pereira, Camacho, Cirino, Marco Rúben e Rony, ou seja, do time campeão da Copa do Brasil, ficou pouca gente à disposição do Dorival Junior. Colo-Colo, segundo colocado no campeonato chileno em 2019, e Jorge Wilstermann, campeão do Clausura na Bolívia, serão os outros oponentes do Athletico no grupo C.

O grupo E, para além da disputa por duas vagas nas oitavas, tem atração especial: a garantia de dois confrontos entre Grêmio e Inter. Ambos estreiam amanhã. O Colorado, seis dias depois de encerrar a travessia pelo chão árido da fase preliminar, já tem de lidar com a Universidad Católica, campeã chilena, no Gigante da Beira-Rio. É provável que Eduardo Coudet, mesmo ciente de que a Católica é melhor que o Tolima, opte por um time mais ofensivo, escalando Boschilia e Marcos Guilherme. Thiago Galhardo pode ficar com a vaga aberta pela ausência de D'Alessandro, suspenso.

O Grêmio vai a Cali, onde o espera um América que retornou à relevância pelas mãos do brasileiro Alexandre Guimarães, cujo prestígio foi obtido por seus feitos na seleção da Costa Rica. Renato contará com Geromel, que estava contundido, mas a zaga gremista segue desfalcada de Kannemann. O argentino logo voltará ao time, assim como Jean Pyerre. No ano passado, quando o Grêmio se embrenhou nos jogos decisivos, a ausência de Jean Pyerre desajustou o meio-campo, o ataque, a articulação; seu retorno pode refazer as qualidades desaparecidas.

O Palmeiras vai disputar uma das duas vagas do grupo B. Começará sua peleja na quarta-feira, enfrentando o Tigre em San Fernando, na Grande Buenos Aires. Nesta década, o Palmeiras ganhou duas vezes o Brasileiro e também duas vezes a Copa do Brasil. Seguirá, obviamente, querendo esses títulos, mas seus dirigentes, seus torcedores, e seus jogadores olham primordialmente para a Libertadores. Em 2018, chegou à semifinal; no ano passado, parou nas quartas. O elenco de 2020, e a maneira como o time está jogando me parecem melhores que os daquelas temporadas.

O Tigre é um clube de poucos títulos na primeira divisão argentina; em torneios internacionais, só se aproximou de um troféu em 2012, quando perdeu do São Paulo na final da Sul-Americana. Chegou à Libertadores deste ano por ter conquistado a Copa da Superliga. Seu técnico, Gorosito, foi jogador de carreira importante, passou anos na seleção argentina e, em 1986, ganhou a Libertadores com a camisa do River.

Além de Palmeiras e Tigre, o grupo B tem o Bolivar, campeão boliviano, e o Guarani do Paraguai, que deixou para trás o Corinthians e o Palestino. Se jogar em seu melhor nível, o Palmeiras não deve se enroscar nesta fase.

O Flamengo, que está no grupo A, pode repetir o que, entre os brasileiros, só Santos e São Paulo conseguiram: ganhar a Libertadores em dois anos seguidos. A certeza de que o time é muito bom vem acompanhada da constatação de que o elenco deste ano é melhor que o de 2019. Podem aparecer procelas, tempestades inesperadas, mas sobram motivos para que o rubro-negro seja apontado como principal candidato à taça continental. E vale notar que, neste ano, o Maracanã receberá a final. O primeiro embate do Flamengo será nesta quarta, em Barranquilla, contra o Junior.

O grupo A tem ainda o Independiente del Valle—- derrotado pelo Flamengo na Recopa—— e o Barcelona de Guayaquil, sobrevivente da fase preliminar. Na quinta-feira, o São Paulo estará nas nuvens, perto das águas do Titicaca. O time de Fernando Diniz vai encarar o Binacional em Juliaca, a cidade dos ventos, erguida nos altos. Na altitude de 3825 metros, o tricolor será desafiado pelo ar rarefeito e em constante movimento, pelos efeitos da menor pressão atmosférica e pelo campeão peruano em 2019.

O Binacional é clube recente, fundado há dez anos, tem poucos recursos e está cheio de problemas: substituiu o técnico e perdeu alguns de seus principais jogadores. Na sequência do primeiro turno, o São Paulo lidará com seus maiores concorrentes no grupo D: a Liga de Quito e o River Plate.

Em botecos e bodegas, em estúdios, nas cavaqueiras, sobrevive a arenga de que imprescindíveis na Libertadores são a raça, a vontade e alguns pontapés. A história mostra que não é assim. As condições necessárias para ganhar o título continental são outras: time bem organizado e bons jogadores.

Campo Livre