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Os caminhos de Corinthians e Inter até fase de grupos da Libertadores

Eduardo Coudet, técnico do Inter, já mudou várias situações no time - Ricardo Duarte/Inter
Eduardo Coudet, técnico do Inter, já mudou várias situações no time Imagem: Ricardo Duarte/Inter
Claudio Zaidan

Claudio Zaidan é radialista há 44 anos. Em São Paulo, trabalhou nas rádios Jovem Pan e Trianon. Entrou na Rádio Bandeirantes em 1994, onde ficou por cinco anos. Voltou para Bandeirantes em 2001, onde atualmente é comentarista.

02/02/2020 04h00

Para Corinthians e Inter já é hora de Libertadores. Voltaram das férias outro dia, disputaram amistosos e algumas partidas de campeonato estadual, mas já têm de se embrenhar na lida da competição continental. E a fase preliminar da Libertadores não permite erros em demasia, pois o custo pode ser alto, definitivo. Lá na frente, na etapa de grupos, cada time faz seis jogos, dois dos quatro clubes se classificam para as oitavas, há intervalo razoável entre as partidas, ou seja, há tempo e oportunidade para fazer correções, ajustes; um jogo muito ruim não significa a irremediável eliminação.

Flamengo, Santos, Palmeiras, Athletico Paranaense, São Paulo e Grêmio, já garantidos na longa fase imediatamente anterior ao mata-mata, só começarão a disputar a Libertadores em março; logo, terão dias e ocasiões suficientes para o aprimoramento técnico, a arrumação tática, e seus jogadores já estarão longe dos efeitos físicos provocados pela preparação pesada de pré-temporada.

Colorados e corintianos não dispõem de tempo para tais coisas - o desafio está diante dos olhos, urgente; nem sequer contam com a continuidade de um trabalho, o acúmulo de conhecimento de um treinador que está há muito tempo com seu elenco. O Inter enfrentará o Universidad de Chile já nesta terça-feira, em Santiago; o Corinthians, um dia depois, estará no Paraguai para jogar contra o Guarani. A rodada de volta será na semana que vem: terça, no Gigante da Beira-Rio, e quarta, na Arena Corinthians.

O Inter trouxe Eduardo Coudet, técnico que fez trabalho brilhante no Rosario Central e no Racing. As primeiras rodadas do Campeonato Gaúcho mostraram problemas na marcação pelas laterais e no posicionamento dos zagueiros, conforme admitido por Coudet logo depois de seu time vencer o São Luís, em Ijuí, por 4 a 3. A arrumação na defesa não vai exigir muito tempo, mas o treinador do Inter tem motivos para apressar o conserto.

A Universidad de Chile não está jogando grande coisa. O principal articulador do time é Walter Montillo, que, próximo dos 36 anos, decidiu voltar para o clube onde esteve antes de sua boa passagem pelo Cruzeiro. Beausejeur, também com 35 anos, anda longe de seus bons tempos de apoiador e driblador pela esquerda; conformou-se às obrigações defensivas de um lateral, repetindo na Universidad o mesmo movimento que fez na seleção chilena. Matías Rodríguez, aquele que jogou no Grêmio, é remanescente do time da Universidad de Chile que Sampaoli conduziu até ao título nacional e à conquista da Copa Sul-Americana.

O Inter, que ainda será remodelado por Coudet, tem mais time que a Universidad, assim como o Corinthians, jogador por jogador, é melhor que o Guarani. Os escritos que contam a história do clube paraguaio têm capítulo especial dedicado ao que ocorreu em 2015: o Guarani chegou à semifinal da Libertadores, depois de deixar Corinthians e Racing pelo caminho.

Faz poucos dias, o Guarani goleou o San José e ganhou o direito de enfrentar o Corinthians. Será um reencontro. Este ano, no entanto, é muito menor a possibilidade de o clube paraguaio repetir o feito. O técnico argentino Gustavo Costas tem à disposição um elenco modesto, sem talentos notáveis. Costas tem variações no modo de jogar: quando visitou o San José, escalou seu time com cinco defensores, quatro meio-campistas e um atacante; na segunda partida, no Paraguai, substituiu um zagueiro por um meia-atacante. Ganhou os dois jogos.

O Corinthians buscou Tiago Nunes, que, provavelmente, mudará muito do estabelecido por Mano Menezes, consolidado por Tite e mantido por Carille. Foram doze anos com variações a partir de um mesmo tema e com ótimos resultados: títulos no Paulista, no Brasileiro, na Copa do Brasil, na Libertadores e no Mundial. Mas parece ter chegado o momento de ir por outros caminhos. Tiago Nunes fez excelente serviço no Athletico Paranaense, ganhou Copa do Brasil e Sul-Americana, entrou rapidamente na lista dos principais técnicos da história do clube. Mas, para além das conquistas, seu trabalho foi notado principalmente pela maneira de o time jogar; foi isto que fez o Corinthians contratá-lo.

As mudanças esperadas, contudo, exigem algum tempo, observações, experiências. O problema é que logo no começo da caminhada, há partidas decisivas, cobranças, avaliações precipitadas. Se o Inter passar pela Universidad de Chile, disputará vaga na fase de grupos com o Macará, do Equador, ou com o Tolima, da Colômbia; já o Corinthians, se eliminar o Guarani, enfrentará o uruguaio Cerro Largo ou o chileno Palestino. Ainda será fevereiro quando estiverem definidos os classificados.

O sorteio feito pela Conmebol aumentou expectativas, ao provocar a possibilidade de um grupo com Grémio e Inter, que se enfrentariam duas vezes, e de ocorrer o mesmo com Palmeiras e Corinthians.

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