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Fogaça: O que esperar do craque colorado D'Alessandro contra o Athletico

D"Alessandro comemora com a torcida do Inter no Beira-Rio - Ricardo Duarte/Inter
D'Alessandro comemora com a torcida do Inter no Beira-Rio Imagem: Ricardo Duarte/Inter
Gustavo Fogaça

Gustavo Fogaça

Conhecido como Guffo, é comentarista da DAZN Brasil, analista de desempenho e cineasta

31/10/2019 12h28

De volta ao time após cumprir suspensão automática, D'Alessandro será titular pela primeira vez sob o comando de Zé Ricardo hoje (31) contra o Atlhetico. Durante a gestão de Odair Hellmann, muito se debateu se o argentino deveria ou não ser titular do Internacional. Afinal, o que as estatísticas do craque colorado nos contam sobre isso?

Quero comparar o desempenho de D'Alessandro nas últimas duas temporadas e na atual. Assim, pode-se ter uma noção da performance do meia e tirar algumas conclusões sobre ele (excluindo jogos em estaduais. Valores de 2019 até rodada 28 Brasileirão).

Para começo de conversa, D'Ale jogou 1109 minutos em 2017 (38 partidas), 1937 minutos em 2018 (30 partidas) e 1899 minutos em 2019 (30 partidas). Ou seja, apesar da idade, D'Alessandro tem jogado MAIS minutos por ano a cada temporada.

Defensivamente, houve uma queda visível no desempenho: se em 2017 a média foi de 50% de acerto nos desarmes e 1,5 bola recuperada por partida, em 2018 caiu para 29% e 1,37 bola recuperada. E esta temporada caiu mais ainda: 27% e 1,23 bola recuperada.

Vendo, então, as bolas recuperadas no campo do adversário, se em 2017 e 18 a média foi de 0.63 recuperações/jogo, em 2019 caiu para 0.43, o que mostra a falta de combatividade do argentino no pós-perda ofensivo. Nunca foi sua principal característica, diga-se de passagem. Mas vem piorando a cada ano.

Mas se vamos falar de Andrés D'Alessandro, temos que falar da fase ofensiva. O meia sempre foi reconhecido por sua capacidade de construção, de se associar e, principalmente, de ser o epicentro das dinâmicas de ataque do time.

Se em 2017 e 18, ele deu 53 passes na média por partida, em 2019 caiu para 51. Pouca diferença. Mas a taxa de acerto de passes caiu: 84% em 2017, 85% em 2018 e 79% em 2019. D'Alessandro em média segue dando a mesma quantidade de passes, mas vem errando mais.

Vendo os chamados "passes-chave" (assistências + passes de ruptura) também houve um decréscimo em seu desempenho: foram 2 por jogo em 2017, teve um aumento significativo em 2018 para 2,6 e voltou a cair em 2019 para 1,9 por partida.

As Chances Criadas variaram de 0,8/jogo (2017), 1,3 (2018) e 0,6 (2019). As assistências convertidas passaram de 0,4/jogo em 2017 para 0,1 em 2019. E as finalizações foram minguando significativamente: de 2,4 por jogo (2017) para 1,2 (2018) e 1,07 (2019).

Pegando a métrica dos Gols Esperados (xG), a média de probabilidade de gol de cada finalização de D'Alessandro foi de 10% em 2017, 16% em 2018 e 7% em 2019.

Caiu mais do que pela metade do ano passado para cá a probabilidade de gol de cada finalização do Cabezón.

Tudo isso para entendermos que o craque argentino não tem contribuído mais com a mesma qualidade e volume de jogo que lhe foi peculiar e o transformou no maior ídolo recente do Colorado.

Claro que números não diminuem nem aumentam a importância do atleta, do líder e do ser humano em um grupo esportivo. Mas servem para aqueles que tomam decisões analisarem o mais friamente possível. E para os torcedores entenderem: não esperem mais o mesmo D'Alessandro decisivo de outrora.

Fonte: Estatísticas da plataforma InStat.

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