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Zaidan: Os atos finais de Messi e Cristiano. Quem são seus sucessores?

Montagem sobre Roman Kruchinin e Adrian Dennis/AFP
Imagem: Montagem sobre Roman Kruchinin e Adrian Dennis/AFP
Claudio Zaidan

Claudio Zaidan é radialista há 44 anos. Em São Paulo, trabalhou nas rádios Jovem Pan e Trianon. Entrou na Rádio Bandeirantes em 1994, onde ficou por cinco anos. Voltou para Bandeirantes em 2001, onde atualmente é comentarista.

14/10/2019 04h00

Messi e Cristiano Ronaldo miram a aposentadoria. O argentino completou, em junho, 32 anos; o português chegará aos 35 no próximo fevereiro. Messi, faz poucos dias, disse que pretende parar daqui a três ou quatro anos; ressalvou, porém, que talvez não tenha condições físicas para jogar até lá.

Na semana anterior, Cristiano Ronaldo reafirmou o quanto ainda aprecia o futebol, e os jogos, e a torcida, mas garantiu que já está preparado para mudar de vida. Com ares de suspense, Cristiano deixou aberta a possibilidade de dar adeus aos campos em 2020 ou no ano seguinte.

É possível que Messi siga por mais tempo do que ele próprio imagina e que Cristiano retome a ideia de jogar até aos 40 anos. Parece claro, no entanto, que daqui a cinco anos, talvez antes, o futebol será definitivamente privado desses craques extraordinários.

Eis a questão que as duas entrevistas impõem: quando Messi e Cristiano já não estiverem em campo, quem ocupará seus lugares?

Não se trata, é claro, de esperar que daqui a pouco surgirá um atacante com a mesma capacidade do Cristiano Ronaldo; ou — ainda mais difícil — que logo aparecerá um jogador do nível do Messi. Ambos têm qualidades raras; e raridade, por definição, pressupõe a necessidade de um longo tempo para que se repita. Mas isso não significa a impossibilidade de que os jogadores excepcionais tenham seus lugares e sua importância ocupados por craques que, mesmo não possuindo o talento dos que se retiraram, são suficientemente bons para marcarem determinado período da história do futebol.

Tem sido assim desde a geração uruguaia campeã em dois torneios olímpicos e na Copa de 30. Sim, desde então, a sequência nunca foi interrompida. Leandro Andrade, Zamora, Meazza, Domingos, Leônidas, Moreno, Pedernera, Zizinho, Schiaffino, Di Stefano, Yashin, Didi, Bozsik, Puskás, Garrincha, Pelé, Masopust, Eusébio, Ademir da Guia, Bob Charlton, Beckenbauer, Pedro Rocha, Gerd Muller, Gerson, Rivellino, Cruyff, Zico, Boniek, Rummenigge, Maradona, Baresi, Laudrup, Stoichkov, Baggio, Weah, Romário, Zidane, Ronaldo, Kaká, Buffon, Ronaldinho Gaúcho, Xavi, Iniesta...

A sequência nunca foi interrompida. Mas agora, quando publicamente Messi e Cristiano falam que suas carreiras estão perto do fim, olhamos para os quatro cantos do mundo e não enxergamos seus substitutos. Neymar tem talento para preencher a vaga. Qualidade para jogar bola nunca foi seu problema; de fato, joga como poucos. Ele já venceu Libertadores e Liga dos Campeões da Europa, sendo decisivo em ambas; está longe de ser um jogador comum.

O pessoal do Barcelona nunca escondeu o plano de preparar Neymar para suceder ao Messi. Mas o brasileiro teve seus próprios projetos. São suas escolhas profissionais e os acidentes de seu percurso que têm se erguido como muro entre ele e a parte que lhe cabe na história do futebol. Neymar, se tudo correr normalmente, jogará mais nove ou dez anos; logo, dispõe de cinco para definir se sua carreira terá o tamanho de seu talento.

Não faltam bons jogadores pelo mundo. Dos que já são conhecidos e têm pela frente muitos anos jogando bola, M'bappe parece o mais promissor. Tem velocidade, dribla bem e sabe fazer gols, além de já ter faturado uma Copa do Mundo. E ele tem muito chão para percorrer; em dezembro, fará 21 anos. M'bappe será, talvez, o sujeito capaz de manter a sequência, mas isso ainda não está demonstrado.

Messi e Cristiano farão imensa falta para os que gostam de futebol e também para a TV e para os patrocinadores. Qualquer jogo do qual um deles participa é sucesso certo de audiência. Farão falta, sobretudo, para o espetáculo. É assim quando os jogadores excepcionais se aposentam. Mas o futebol sobreviveu até mesmo à saída do Pelé. Não deverá ser diferente daqui a alguns anos, quando Messi e Cristiano já não estiverem nos campos. Resta saber quem fará a roda continuar a girar.

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