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Zaidan: Missão de Fernando Diniz é melhorar o ataque do São Paulo

Do UOL, em São Paulo

07/10/2019 04h00

A prioridade de Fernando Diniz deve ser melhorar o ataque do São Paulo. O time, geralmente, se defende bem e toma poucos gols. Bruno Alves e Arboleda estão entre os melhores zagueiros desta temporada no futebol brasileiro; e se um deles não está em campo, Anderson Martins ou Walce pode dar conta do serviço. Juanfran não é exímio apoiador, mas sempre foi bom marcador--- e a marcação pela direita havia se tornado problema crônico no São Paulo.

E há o Volpi. Sim, o clube tem de se esforçar seriamente para contratar o Volpi. Quando Rogério Ceni deixou o gol do São Paulo, aconteceu o óbvio: cada candidato a goleiro titular teve de lidar com o peso da história do antecessor. O Palmeiras, quando Marcos se aposentou, sofreu com situação idêntica e só teve sossego ao trazer Fernando Prass, que, já muito experiente, suportou a pressão e resolveu o assunto. Volpi não teve um começo fácil no São Paulo, mas conseguiu, em pouco tempo, mostrar que é um ótimo goleiro.

Os números revelam a eficiência da defesa tricolor, confirmada na estreia do Diniz, contra o ótimo ataque do Flamengo. Mas são também os números que expressam a dificuldade do São Paulo para fazer gol. E a chave da questão não parece estar simplesmente na qualidade dos atacantes; antes, a solução passa por mudanças na organização do time e, consequentemente, no modo como sai da defesa para o ataque. É obviedade incontornável que Fernando Diniz usa caminhos diferentes dos de Cuca; sob alguns aspectos, aquele é a antítese deste.

O jogo contra o Flamengo foi disputado no dia seguinte à apresentação do Diniz. É claro, pois, que a equipe exibiu no Maracanã ainda muito do modo de jogar estabelecido pelo Cuca; no entanto, Diniz tomou decisões que já provocaram pequenas mudanças, incluindo escalar Tchê Tchê na ponta esquerda.

Uma semana depois, na partida contra o Fortaleza, se notava no São Paulo a preocupação em evitar lançamentos diretos da defesa para o ataque; a tentativa de organizar seu jogo com passes curtos; e a orientação para que, na intermediária de ataque, a bola passe prioritariamente por Hernanes e Daniel Alves.

Não havia dúvida de que, enfrentando o Fortaleza no Pacaembu, o time seria bem mais ofensivo do que havia sido contra o Flamengo; assim seria também com Cuca, ou Mancini, ou Jardine, ou Aguirre. Mas também é óbvio que, sob comando do Diniz, serão substanciais as mudanças táticas que virão. O desafio de melhorar o ataque só se resolverá com mais qualidade na armação pelo meio-campo. Diniz, pois, tem de considerar a hipótese de que isso talvez dependa de ele escalar Liziero e Igor Gomes.

A diretoria do São Paulo sabe quais são as ideias do Diniz sobre futebol e que implementá-las exige um tempo razoável; o mais provável é que elas só se realizem integralmente no ano que vem. Cabe ao Leco e ao Raí, em caso de resultados ruins neste ano, o respaldo ao trabalho e às decisões do treinador. Em 2020, avaliarão, então, se acertaram na escolha. O que não funciona é ficar demitindo técnico a cada seis meses ou menos. Mesmo Rogério Ceni, com tudo o que representa no clube, não escapou das decisões afoitas dos dirigentes.

Aliás, a volta de Rogério ao São Paulo é algo que ele próprio e os torcedores parecem ver como curso quase inevitável das coisas; mas isso só ocorrerá—- se ocorrer—- quando o clube estiver sob outra direção. A entrada em campo de Rogério, como técnico do Fortaleza, sábado passado, no Pacaembu, foi mais uma ocasião que a torcida do São Paulo não desperdiçou para mostrar sua admiração por seu goleiro de tantos feitos.

O clube construiu sua história com Leônidas, Sastre, Bauer, Mauro, Zizinho, Dino Sani, Roberto Dias, Gerson, Pedro Rocha, Dario Pereyra, Oscar Serginho, Careca, Pita, Raí, Cerezo, Muller, Zetti, Ceni, Telê, Muricy... Um clube assim não pode conviver bem com longos períodos sem títulos importantes. Está aí o desafio para qualquer técnico que chega ao São Paulo. Só Deus sabe se Fernando Diniz terá sucesso no Morumbi. Elenco para ganhar competições, isso ele tem. O certo é que Diniz, para além do desafio, tem diante de si uma extraordinária oportunidade.

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