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Andrés Sanchez: Juca, o submisso

Andrés Sanchez

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O presidente do Corinthians escreveu o texto abaixo em resposta a post publicado pelo blogueiro Juca Kfouri

18/09/2019 15h27

O jornalista Juca Kfouri mantém sua obsessão de fazer de mim, Andrés Sanchez, o tema predileto de suas crônicas. Tenho evitado responder, porém, ao exagerar, utilizo o direito de resposta a um recente comentário de sua autoria, no seu blog do dia 17/09/19. Com seu habitual vocabulário, afirma que minha gestão no Corinthians seria motivo de impeachment e, ao me citar, comete um exagero antiético, refere-se a mim como "torturador" do clube.

Juca, o submisso, adota uma posição contrária ao personagem que tenta construir de si como jornalista crítico, destemido e independente, já que ante minha crítica a determinadas gestões no mundo do futebol, justificadas pela rivalidade do esporte, em vez de me rebater com argumentos, opta pela desqualificação pessoal me chamando de "cara de pau, fofoqueiro e fanfarrão" e ainda dá bronca autoritária nos participantes de um suposto programa por me convidarem e deixarem que eu emitisse minhas opiniões na televisão e flerta com o autoritarismo, tão em voga no novo governo, talvez aguardando benesses.

Tudo isso ocorre na semana que demos passos importantes nas negociações para viabilizar as dívidas da Arena, que pela sua previsão não pagaríamos jamais.

A única verdade em sua coluna é que realmente não somos um dos cinco grandes do mundo e nem vamos pagar o estádio em seis anos. Reconheço, errei em minhas previsões de presidente torcedor, mas isso não tem maior importância, seguimos entre os maiores clubes, com equipes competitivas e colecionando títulos. E seguimos trabalhando para melhorar ainda mais, como demonstram os resultados em campo, apesar das críticas ininterruptas de parte da imprensa.

Seu Juca, o submisso, já não pode dizer o mesmo de seu trabalho jornalístico, abandonado pela audiência, e talvez um pouco pela incompetência, acabou fora dos principais programas esportivos da televisão brasileira.

Na semana passada, levianamente escreveu o absurdo de que votei no Bolsonaro, omitindo nossa firme posição em algumas ações recentes, tais como a defesa do torcedor corintiano retido no estádio por manifestar-se contra o Presidente da República, ou nossa corajosa denúncia sobre o que ocorre na Amazônia, elogiada pela imprensa do mundo inteiro.

Segundo Juca, o submisso, meu suposto voto teria sido esse devido às minhas críticas públicas à gestão de Haddad como prefeito. Queria o escriba que mantivesse uma atitude servil por ser do mesmo partido?

Com critério similar posso especular sobre seus votos, me veio à memória uma de suas duvidosas e mal explicadas atuações, por exemplo, a histórica tentativa de isentar os responsáveis pelo jornalismo da Globo, seus chefes naquela época em que foi funcionário global, pela interessada e desequilibrada edição para o JN, do debate entre Collor e Lula em 1989 opondo-se a explicação muito bem exposta por alguns de seus companheiros jornalistas.

Por essas e outras, pode haver quem pense que Seu Juca, naquela eleição, atendendo seus superiores, tenha votado no Collor. Também podem dizer que nas últimas eleições votou no Haddad por ser de esquerda, mas outros, talvez mais "maldosos", possam concluir que você tenha votado no Haddad agradecido pelo seu programa semanal na TVT.

Nem quero falar muito de sua desprezível menção ao meu suposto "gozo de saúde plena" aludindo, sem citar, meu recente problema médico. Lembro-me de sua postura servil, quando ganhei uma ação contra você, depois de reproduzir em sua coluna uma reportagem sem a devida checagem e, como de hábito, sem ouvir o outro lado, sepultando o que ainda podia restar de bom jornalismo em você. Lamento, talvez o Juca, o submisso de hoje, tenha saudade do Juca que acreditava na democracia, indignava-se contra a tortura e fazia direito seu trabalho.

Por fim, Seu Juca, o submisso, lhe confesso minha profunda decepção contigo, ao utilizar o Corinthians e a mim, para banalizar um assunto tão real e doloroso como a tortura, sem dúvida ofereceu uma valiosa contribuição à perigosa e poderosa corrente política que tenta tratar o tema como algo corriqueiro e sem importância, talvez em busca de um agrado, ou novamente articulando para tornar-se um apaniguado do novo regime.

Com certeza o senhor não pretendia, mas, também com isso, mesmo sem querer, deixa a marca de seu subliminal estilo submisso ante o poder estabelecido.

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