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Para ser campeão, Internacional precisará mais do que a força da torcida

Guerrero, durante partida entre Athletico e Internacional - Gabriel Machado/AGIF
Guerrero, durante partida entre Athletico e Internacional Imagem: Gabriel Machado/AGIF
Gustavo Fogaça

Gustavo Fogaça

Conhecido como Guffo, é comentarista da DAZN Brasil, analista de desempenho e cineasta

12/09/2019 14h09

A vitória por 1x0 do Athletico ontem (11) na Arena da Baixada deu uma leve vantagem ao time paranaense para o jogo da volta em Porto Alegre. E foi uma vantagem construída com boas ideias de futebol. Para reverter o resultado, o discurso de todos os jogadores, elenco e direção foi unânime: contam com a "força do Beira-Rio". Mas será que só isso será suficiente?

Não há dúvida de que o Inter é muito forte em casa. Invicto há 19 partidas, com aproveitamento de 80% dos pontos, média de 53% de posse e 1,9 gol marcado. É soberano em seus domínios.

Mesmo com a magia do grito da torcida e a tranquilidade de conhecer os atalhos do campo, algumas coisas serão necessárias corrigir, tanto no individual quanto no coletivo.

Primeiro, a compactação do time. Defensivamente, o Inter mostrou-se compacto e, mesmo atuando em bloco baixo, acertou mais do que errou. Agora, quando com a bola, o time se separa terrivelmente. O setor ofensivo avança na construção, e a primeira linha não acompanha, criando um buraco no meio que permite ao adversário muitas vantagens.

Então, ao atacar, é necessário que o time avance junto. Atacantes estão atacando? Linha defensiva sobe e diminui os espaços do adversário. Isso é PRESSÃO. Isso é não deixar que o outro time tenha vantagens. É transformar o grito da torcida em ação tática dentro de campo.

Outra coisa que necessita atenção especial de Odair Hellmann e comissão é a INTENSIDADE ofensiva. Quando em posse da bola, o Inter é lento, previsível e sem velocidade. No primeiro jogo da final, ficou claro isso: uma estratégia reativa de encaixar contra ataques com jogadores sem velocidade e intensidade para isso. Não deu match.

Jogadores como Pottker, Neílton, Parede, Nonato e Wellington Silva são aríetes desse jogo de maior intensidade com a bola. E as suas características turbinam jogadores como Edenílson e Patrick, mais afeitos ao jogo lento, mas que correspondem se chamados à intensidade.

Pessoalmente, duvido que Odair entre em campo com algum desses nomes citados. Inclusive, muitos deles são desafeto da torcida que criticaria o treinador se com eles jogasse. E Odair precisa da "força do Beira-Rio", correto?

Mas repetir a escalação com D'Alessandro ou Sobis (ou os 2 juntos), Nico e Guerrero não entregará as dinâmicas necessárias para uma imposição de maior intensidade. Pode ganhar com eles? Claro que pode. Mas não corrige o problema.

Na média jogando no Beira-Rio, o Colorado cria 6 chances de gol, com aproveitamento de 33% na conversão delas em gols. Tem 1,6xG de gol esperado por jogo e 13 finalizações. O que significa que cada finalização do Inter em casa tem média de 12% (0,12xG) de probabilidade de gol.

São números significativos e que podem encher a torcida de esperança. Mas do outro lado tem uma equipe muito bem treinada, com sede de título e com um atleta em momento técnico mágico. Não há no Inter ninguém vivendo o mesmo momento que Bruno Guimarães vive no Furacão.

Por esses motivos e outros, a "força do Beira-Rio" será necessária e transformadora. Mas vai precisar de respostas em campo eficientes. Caso contrário, a volta olímpica será rubro-negra.

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