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Gustavo Fogaça: Éverton Cebolinha precisa sair nesta janela

Éverton comemora gol do Grêmio contra o Bahia - Pedro H. Tesch/AGIF
Éverton comemora gol do Grêmio contra o Bahia Imagem: Pedro H. Tesch/AGIF
Gustavo Fogaça

Gustavo Fogaça

Conhecido como Guffo, é comentarista da DAZN Brasil, analista de desempenho e cineasta

15/08/2019 17h55

Peça fundamental na vitória do Grêmio contra o Athletico na Copa do Brasil, MVP da Copa América e maior destaque do futebol brasileiro, Éverton Cebolinha vive um momento decisivo em sua carreira: ficar no Brasil ou buscar a independência financeira no exterior.

Após o belo desempenho no torneio continental de seleções, esperava-se que algum gigante europeu fizesse uma oferta pelo seu passe. Mas até os dirigentes gremistas se surpreenderam com a ausência TOTAL de propostas pelo atleta até aqui.

Com 23 anos cumpridos em março, Éverton tem em seu contra ainda não ter sido testado no mercado europeu e também o fato de que o Grêmio pede 40 milhões de euros pela sua parte no negócio. Soma-se a isso os valores das outras partes envolvidas, e chega-se a um valor total que assusta o mercado.

A idade média das contratações nas cinco grandes ligas europeias são divididas assim (dados do FIFA/TMS):

? Inglaterra: até 21 anos (29%) | 21 a 23 (44%) | 24 a 29 (18%)
? Espanha: até 21 anos (37%) | 21 a 23 (33%) | 24 a 29 (20%)
? Itália: até 21 anos (35%) | 21 a 23 (34%) | 24 a 29 (22%)
? Alemanha: até 21 anos (33%) | 21 a 23 (35%) | 24 a 29 (19%)
? França: até 21 anos (27%) | 21 a 23 (32%) | 24 a 29 (22%)

Pela estatística, Éverton está no limite da faixa etária onde acontecem a maioria dos negócios. Ou seja, a janela para sua transferência a uma grande liga europeia é AGORA. Na janela de inverno (janeiro) os clubes não fazem grandes contratações, e a espera até a próxima janela de verão (agosto/2020) pode praticamente derrubar pela METADE as probabilidades de negócios pelo atleta.

Se até agora, com todo esse destaque, não veio proposta por Éverton, menos ainda virá com o atleta um ano mais velho.

Pelo menos, das grandes ligas. Claro, sempre há os mercados menores da Europa e da Ásia. Mas estamos falando do maior destaque técnico do atual futebol brasileiro, não é mesmo!?

Por isso, o Grêmio e as partes envolvidas na representação de Éverton precisam encontrar um caminho para colocar o Cebolinha na Europa NESTA janela, mesmo que seja em clubes "médios" de França, Alemanha ou Espanha.

Assim, ele poderá ter uma primeira temporada de adaptação sem tanta pressão e depois, em uma segunda venda, ir para um grande clube. Todas as partes envolvidas precisam rever as condições do negócio, talvez abrir mão de algo agora para assegurar um ganho lá na frente nesta segunda venda. Só uma ideia, claro.

A questão é bem óbvia: os clubes europeus preferem jogadores mais jovens ou que já tenham se adaptado ao mercado europeu, pois representam - em tese - um risco menor pelo investimento realizado.

Éverton precisa sair agora ou pode acontecer a mesma coisa que Luan: um craque que poderia render milhões ao clube em uma venda europeia e terminou não acontecendo.

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