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Gustavo Fogaça: O que aconteceu com o Palmeiras?

Palmeiras x Vasco em partida pelo Campeonato Brasileiro - Alan Morici/AGIF
Palmeiras x Vasco em partida pelo Campeonato Brasileiro Imagem: Alan Morici/AGIF
Gustavo Fogaça

Gustavo Fogaça

Conhecido como Guffo, é comentarista da DAZN Brasil, analista de desempenho e cineasta

01/08/2019 13h31

Um Brasileirão que parecia bem encaminhado e uma liderança tranquila davam a impressão de que ninguém conseguiria abalar o time de Felipão. Mas o aproveitamento de 22% dos pontos, a perda da liderança para o Santos e o mau desempenho pós-Copa América surpreenderam e deixaram uma dúvida: o que aconteceu com o Palmeiras?

Podemos traçar um diagnóstico pela leitura dos dados de desempenho, comparando a performance do time no Brasileirão nas nove partidas antes da parada com as três posteriores. E acreditem: os números são bastante curiosos.

Deixa eu combinar um negócio com vocês: o time prévio à pausa vamos chamar de Palmeiras A (9 jogos, 92% aproveitamento) e o posterior, Palmeiras B (3 jogos, 22%). Ok?

Por alguma razão que desconheço, o Palmeiras B resolveu ser um time propositivo e que quer criar chances através da posse. Bem diferente às características do Palmeiras A, um time reativo e que brigava por uma bola na frente.

A média de posse de bola do Palmeiras A era de 46%, e a do Palmeiras B é de 58%. Com isso, o time passou de realizar 666 ações por partida para fazer 755, na média. Também acerta mais passes agora: 85% contra 80%. Mais posse, mais passes certos e mais ações, fizeram o time saltar de 53 para 65 ataques posicionais por jogo.

Ou seja, o Palmeiras B tem mais a bola, trabalha mais ela em campo e cria mais ataques com a bola rolando do que o Palmeiras A.

O Palmeiras A encaixava 3 finalizações de contra-ataques por partida. Já o Palmeiras B, menos afeito aos contra-ataques, encaixa 1,6 finalização desse tipo de jogada, em média. Caiu pela METADE o poderio de contra atacar do Verdão.

Em termos de Chances Criadas, o Palmeiras A tinha 8 por partida (com 30% de conversão em gols), e o Palmeiras B consegue somente 5 por jogo (com 18% de conversão em gols). A média de finalizações não mudou: 16 por jogo para ambos times.

Mudou sim a QUALIDADE dessas chances e finalizações. Utilizando a métrica dos Gols Esperados (Expected Goals/xG), o Palmeiras A tinha 2xG por partida, o que dá uma média de 0,13xG por finalização. Isso quer dizer que cada chute do Palmeiras A tinha 13% de chance de gol, na média.

O Palmeiras B tem média de 1,6xG, com 0,1xG por finalização. Na lógica, cada finalização tem 10% de chance de gol, na média. É uma diferença leve, pequena, mas significativa: o Palmeiras A tinha MELHORES chances de gol que o B.

Então, temos um time em transformação? Será que Felipão está querendo mudar seu modelo de jogo para algo mais propositivo? Os números indicam que sim, nem que seja só por um momento. Mas os resultados - e o desempenho - mostram que não tem sido uma escolha muito feliz do treinador.

"Em time que está vencendo não se mexe" não é uma máxima do futebol por acaso.

Os números são da plataforma InStat.

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