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Zaidan: Copa América tem lições que o Brasil deve aprender antes de 2022

Thiago Calil/AGIF
Imagem: Thiago Calil/AGIF
Claudio Zaidan

Claudio Zaidan é radialista há 44 anos. Em São Paulo, trabalhou nas rádios Jovem Pan e Trianon. Entrou na Rádio Bandeirantes em 1994, onde ficou por cinco anos. Voltou para Bandeirantes em 2001, onde atualmente é comentarista.

21/06/2019 17h09

O Brasil, nesta Copa América, é um time sem craques, mas com número suficiente de bons jogadores para apresentar algo melhor do que aquilo que temos visto. O título continental é possível; continua na categoria dos acontecimentos prováveis. O que diminuiu é a expectativa nacional de que Tite desembarque no Qatar com um time superior ao que esteve na Rússia.

Daniel Alves protestou contra as vaias que a seleção recebeu no Morumbi e anunciou, por conta própria, que, na Bahia, o público teria comportamento diferente. Que nada! Antes mesmo do final do jogo em que o Brasil empatou com a Venezuela, as vaias envolveram o gramado da Fonte Nova.

Tal e qual as leis naturais, a reação do torcedor é resposta a uma ação. É o time que leva o público a bater palmas ou a disparar vaias. E a seleção brasileira, convenhamos, não tem inspirado aplausos nem mesmo em suas vitórias. No primeiro tempo da estreia, o Brasil parecia surpreso com a própria incapacidade de pelo menos entrar na área dos bolivianos. O zero a zero que o time carregou para o intervalo poderia provocar nervosismo capaz de complicar as coisas no segundo tempo, mas houve o pênalti logo aos 3 minutos e, rapidamente, a parada foi resolvida.

Ao fim, foi uma estranha mistura de vitória tranquila com atuação medíocre, e o placar não escondeu o curto repertório do ataque brasileiro e a mesmice das jogadas feitas em seu meio-campo (o que, em parte, teve a ver com a decisão de Tite em escalar dois volantes contra um time que nem queria saber de atacar). Dias depois, encarando a Venezuela, outra partida ruim do Brasil e um emblemático empate sem gols.

Brasil parou na Venezuela, em resultado que não agradou torcida e crítica - Thiago Calil/AGIF
Brasil parou na Venezuela, em resultado que não agradou torcida e crítica
Imagem: Thiago Calil/AGIF

Não ter nem sequer um craque torna particularmente difíceis os embates contra times que jogam com oito lá atrás. Faltam dribles, passes precisos e inesperados, tabelas que desorganizem a marcação oponente. De todo modo, mesmo sem jogadores extraordinários, esses problemas do time podem ser contornados, desde que Tite ouse mais e não se amarre a um único roteiro.

Nas duas primeiras rodadas, o treinador desperdiçou a oportunidade de escalar Paquetá no meio-campo; talvez não funcionasse bem, mas era o momento para experimentar alguma solução para aquela pasmaceira. Sem Neymar, os atacantes à disposição de Tite estão, todos eles, em um mesmo nível, independentemente da diferença de características e estilos.

No meio-campo, está claro que Arthur tem jogado mais à vontade, arriscando lançamentos difíceis - ele tem sido cobrado também no Barcelona a ir além dos passes curtos. Coutinho, por sua vez, não é o sujeito para armar e organizar; provavelmente, seria mais útil na ponta esquerda, já que tem habilidade, é rápido e chuta bem.

Guerrero é um dos destaques da seleção peruana que encara o Brasil neste sábado - REUTERS/Pilar Olivares
Guerrero é um dos destaques da seleção peruana que encara o Brasil neste sábado
Imagem: REUTERS/Pilar Olivares

No jogo contra a seleção peruana, deve sobrar mais trabalho para Alisson, Marquinhos e Thiago Silva, mas os três costumam dar conta do serviço. Guerrero, aos 34 anos, é sempre um bom teste para os zagueiros. Filipe Luís não pode ficar sozinho contra Farfán e Advíncula; Neres ou Everton, quem for, enfim, escalado na ponta esquerda, terá de ajudar por ali. Daniel Alves talvez tenha mais preocupação do que nos dois primeiros jogos, principalmente se Gareca escalar Flores.

É possível que, durante a competição, Tite resolva os problemas, o que pode ser menos ou mais complicado conforme o nível do oponente que a seleção terá pela frente nas quartas. É considerável a chance de o time evoluir e ganhar a Copa América. Pode ser que, no começo da noite de 7 de julho de 2019, com o Maracanã lotado, Daniel Alves levante a taça e, finalmente, ouça os aplausos que reivindicou. Mais incerto é o quanto será bom o time que tentará ganhar, em 22, o sexto título mundial da seleção brasileira.

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