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Jogadores e técnicos não conhecem regra de impedimento

Deyverson não estava impedido quando marcou gol sobre o Vasco, na partida que deu ao Palmeiras o decacampeonato do Brasileirão - Ricardo Moraes/Reuters
Deyverson não estava impedido quando marcou gol sobre o Vasco, na partida que deu ao Palmeiras o decacampeonato do Brasileirão Imagem: Ricardo Moraes/Reuters
Oscar Roberto Godoi

Oscar Roberto Godoi

Jornalista e ex-árbitro, esteve sob a chancela da Fifa de 1993 a 2000

26/11/2018 12h50

As regras do futebol são 17 mas, para quem joga, apenas uma exige inteligência. Trata-se do impedimento, aquela que valida ou anula possibilidades do time atacante marcar um gol. É a regra que consagra ou arrebenta com o árbitro assistente, auxiliar, popularmente conhecido e chamado de “bandeirinha”, alvo preferido para desabafo verbal dos torcedores que gostam de ficar junto ao alambrado, principalmente nos estádios pequenos e mais antigos.

Infelizmente, mesmo depois de tantos anos praticando, poucos jogadores e técnicos conhecem a regra. Tanto é que dificilmente notamos alguma jogada coletiva ou individual treinada para benefício da defesa ou do ataque. Nem a chamada linha burra, a linha do impedimento feita pelos defensores, observamos. Seria falta de conhecimento ou falta de confiança no bandeirinha?

Na vitória do Palmeiras e consequente conquista do troféu do Brasileirão 2018, por 1 a 0 contra o Vasco, o atacante Deyverson, autor do gol, chega para concluir antes do zagueiro adversário por estar em posição de impedimento no início da jogada. A regra diz que o impedido só deve ser punido se participar, interferir ou se beneficiar. O Deyverson não foi beneficiado?

Não. Ele tirou proveito da regra. Quando Dudu lança Willian, Deyverson está impedido, mas Castan dá condições de jogo para Willian. No momento em que Willian toca a bola para o companheiro, Deyverson está atrás da linha da bola e chega primeiro do que Castan. Gol legal! Pode carimbar! Parabéns para o assistente Bohn que interpretou a regra corretamente.

Independentemente da péssima situação administrativa que um clube possa estar atravessando, algo que é refletido técnica e disciplinarmente no time dentro do campo, não dá para aceitar a reação que Pikachu teve ao reclamar acintosamente, agressivamente, contra a interpretação do árbitro Rafael Traci. Foi corretamente expulso, dificultando um pouco mais a missão do Vasco para escapar do rebaixamento na última rodada.

No jogo Cruzeiro 0 x 2 Flamengo, o árbitro Jean Pierre-FGF-RS, acertou em não marcar pênalti de Léo Duarte em Arrascaeta. O cruzeirense poderia ter sido punido pela encenação. Se acertou aqui, Pierre errou em não expulsar Fred e Cuéllar. O atacante do Cruzeiro e o defensor do Flamengo se empurraram, deram cabeçadas, se ofenderam verbalmente e o árbitro não tomou a atitude que deveria. Também foi omisso com o cruzeirense Egídio. Como pode aceitar tanta reclamação sem punir?

Melhor cuidar de um bananal!

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