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Bala na Cesta


A Euroliga tem as suas histórias, por Rodrigo Salomão

Maccabi - Rodrigo Salomão
Maccabi Imagem: Rodrigo Salomão
Fábio Balassiano

Por aqui você verá a análise crítica sobre tudo o que acontece no basquete mundial (NBB, NBA, seleções, Euroliga e feminino), entrevistas, vídeos, bate-papo e muito mais.

10/02/2020 13h00

* Por Rodrigo Salmoão

Enquanto a NBA teve uma semana quente com incontáveis trocas, a Euroliga vai se encaminhando para a reta final da temporada regular. Os favoritos ao título vão ficando cada vez mais claros, e o mais incrível é que eles são muitos. Cada um com seus pontos fortes e seus pontos fracos. Mas aqui pertinho de mim, no Maccabi Tel Aviv, podemos acompanhar duas histórias maravilhosas em paralelo: uma de superação e outra de surgimento.

Por que falo de superação ao me referir ao time israelense? Porque no momento o elenco conta com (absurdas) seis lesões! Das quais, cinco costumam ser de jogadores titulares. Sim, o time do técnico Ioannis Sfairopoulos está sem sua primeira unidade inteira! Ao menos, Scottie Wilbekin - o cestinha - deve retornar em breve. Mas Omri Casspi, Nate Wolters, Tarik Black, Yovel Zoosman (a meu ver, o melhor defensor) e John Dibartolomeo (o melhor arremesso de 3 do time) fazem muita falta. Até hoje, não sei quantos coelhos o treinador tem pra tirar da cartola, porque a cada semana ele me surpreende.

A quarta colocação (campanha idêntica à do CSKA) é para se aplaudir de pé. Já são 16 vitórias em 24, sendo 10 delas em casa. Só perdeu para o Real Madrid em Tel Aviv. Contra o Khimki, de Alexey Shved, vitória dura, na marra, 80 a 77 na quarta-feira. E com o talento cada dia mais maduro de Deni Avdija, que, aliás, é a nossa segunda história para contar.

Há alguns dias, pela liga israelense, Deni anotou 26 pontos e bateu seu recorde na jovem carreira. Contra os russos, o ala de 19 anos mostrou-se um belo defensor nos momentos cruciais. Foi dele, ao lado de Tyler Dorsey, o maior "+/- " da partida (+7). Com 11 pontos e 9 rebotes na hora que mais precisava, Avdija deu conta do recado:

"Foi divertido estar em quadra e experimentar toda essa atmosfera, estando 120% dentro jogo, dando o máximo fisicamente e lutando muito. Jogar com esse ritmo que impomos me fez relaxar. É minha hora de brilhar. Vendo que temos uma quantidade incomum de lesões, decidi que deveria assumir mais responsabilidade e lutar por alguns dos jogadores que não estão conosco. Se Zoosman estiver machucado e precisarmos pressionar o Shved na defesa, é isso que farei. O caminho é longo e há altos e baixos. Podemos ter um jogo menos bom amanhã, então tenho que permanecer humilde, com os pés no chão para continuar", falou o rapaz no vestiário após a partida.

Tudo muito bom, tudo muito bem. Só que aí chegou a sexta-feira, porque, como se não bastasse, a Euroliga tinha mais uma rodada "back-to-back" pela frente (juro que não pensei no trocadilho, mas o Bala vai gostar). Elenco em frangalhos, que viajou até a Turquia para encarar o cascudo (e em franca ascensão) Fenerbahçe. Confesso a vocês que, nos meus cálculos, era derrota certa, esperada e de poucas consequências no fim da corrida pelos playoffs. Só que a cartola de Ioannis é bem mais espaçosa do que parece. Saiu mais um coelho, com Deni junto, e mais outros detalhes.

Com direito a um buzzer beater a dois segundos do fim, o Maccabi ganhou mais uma dos turcos de Obradovic, desta vez em Istambul. Um 78 a 77 para ser muito comemorado. Tanto quanto os 13 pontos de Avdija, mais um recorde em sua carreira, porém agora em jogos de Euroliga.

A jogada final, aliás, foi uma tacada de mestre. Quando todos esperavam algum arremesso de fora em virtude do pouco tempo no cronômetro, os amarelos se aproveitaram da ausência de Jan Vesely (ejetado com 5 faltas) para fazer ligação direta com o pivô Othello Hunter. Com muita competência e frieza, o norte-americano confirmou a vitória diante de 11 mil incrédulos no ginásio.

Um time inteiro reserva ganhando de um dos plantéis mais estrelados, e como visitante. Como isso aconteceu? Ninguém sabe, ao certo. Mas vamos continuar vendo de perto para tentar descobrir, com ou sem os titulares de volta e com uma provável futura estrela da NBA. Na pior das hipóteses, vou me divertir ao ver a história ser escrita. Sem respostas, mas com muita coisa para contar...

Curtinhas da Euroliga:

  • Falamos da Turquia, mas não podemos sair do país sem citar a campanha absolutamente brilhante do Anadolu Efes. O vice-campeão da edição passada venceu mais duas esta semana (CSKA e Zalgiris), chegou a 21 vitórias e confirmou a primeira vaga da pós-temporada, com 10 rodadas de antecipação. Shane Larkin será o MVP? É o que dizem por aí;

  • Por falar na corrida pelo posto de jogador mais valioso deste ano, Nikola Mirotic segue firme na luta. Contra o Valencia, foi o autor da cesta da vitória, nos segundos finais. Já diante do Olimpia Milano, comandou o Barcelona rumo a mais um triunfo na parte de cima da tabela. Agora os blaugranas dividem a segunda posição com os rivais do Real Madrid. Como joga fácil Mirotic;

  • Um dia vamos reservar um artigo só para falar disso, mas é sempre importante lembrar que existem algumas diferenças básicas entre o basquete jogado na Europa e aquele da NBA. O tempo, por exemplo. Por aqui, são 10 minutos por quarto, o que dá para entender placares bem menores dos que vemos nos EUA. Além disso, o estilo tático é bem diferente. Papo para outra ocasião, mas vocês podem perguntar a Luka Doncic, que já falou demais sobre o tema;

  • As tão mencionadas lesões do Maccabi Tel Aviv criaram uma sinuca de bico no basquetebol israelense. Isso porque, Amar'e Stoudemire (sim, aquele!) foi contratado de emergência para compor o grupo. O problema é que a estrela ex-Phoenix Suns tinha participação societária no Hapoel Jerusalem, onde também jogou alguns anos atrás. Por serem mega rivais, o pivozão precisou sair dos quadros para não rolar saia justa, mas pouco tem atuado na Euroliga. Pelo menos por enquanto. Para quem não sabe, Amar'e tem cidadania israelense por sua conexão com o judaísmo.

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