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Kobe teve Oscar como ídolo, inspirou-se em Jordan e é uma lenda do esporte

kobe bryant  - Getty Images
kobe bryant Imagem: Getty Images
Fábio Balassiano

Por aqui você verá a análise crítica sobre tudo o que acontece no basquete mundial (NBB, NBA, seleções, Euroliga e feminino), entrevistas, vídeos, bate-papo e muito mais.

26/01/2020 17h20

Um dos melhores jogadores de todos os tempos, Kobe Bryant faleceu na tarde deste domingo em Calabasas, Califórnia, vítima de um acidente de helicóptero. A notícia foi dada primeiro pelo site TMZ e confirmada pelas autoridades locais em seguida. Kobe, 41 anos, deixa a esposa Vanessa e quatro filhas (Natialia, Bianka e a recém-nascida Capri). Sua filha Gianna, de 13 anos, também morreu no acidente.

Filho de Joe Bryant, ex-jogador de basquete com passagem mediana pela NBA e também pela Europa, Kobe nasceu em 23 de agosto de 1978 na Filadélfia. Por conta da profissão do pai, passou boa parte da infância na Itália, onde pode conviver com seu ídolo, ninguém menos que o brasileiro Oscar Schmidt, por quem Kobe tem uma reverência visceral.

De volta aos EUA no começo dos anos 90, Kobe foi estudar no segundo grau em Lower Merion, onde não se destacou de cara, mas aos poucos foi comandando a escola aos maiores campeonatos e ao título estadual de 1995, o primeiro em 53 anos, com mais de 30 pontos por jogo. Ele já chamava atenção dos olheiros de todo mundo, sobretudo os da NBA, que queriam que aquele garoto de 16, 17 anos, migrasse direto para a melhor liga de basquete do mundo.

Na época isso não era comum atletas do segundo grau migrarem direto para a NBA, mas acabou acontecendo. Uma história que dizem ser meio verdade, meio brincadeira, teria acontecido em maio de 1996, quando Kobe estava com um amigo em um ônibus voltando para casa após o treino e os dois estavam conversando sobre ele, Kobe, entrar ou não no Draft da NBA, a seleção anual dos novatos da melhor liga de basquete do mundo. Ambos conversavam quando uma menina de 12, 13 anos se virou e respondeu: "Você é bom demais jogando contra garotos mais baixos que você. Vai jogar e desafiar seus ídolos". Era tudo o que a mente competitiva de Bryant precisava ouvir.

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Bryant passou sua infância na Itália, onde adquiriu gosto pelas Ferraris - Divulgação
Bryant passou sua infância na Itália, onde adquiriu gosto pelas Ferraris
Imagem: Divulgação

Outra história do seu período do colegial dá conta do momento em que Kobe machucou a sua mão direita, sendo impedido de arremessar por dois meses. Ele ouviu a recomendação do médico de que não poderia arremessar com seu "braço forte", mas não de que os treinos estavam proibidos. Kobe surpreendeu a todos quando apareceu na quadra e começou a treinar arremessos... com a mão esquerda. Desafiou o então melhor atleta da equipe, John Celestand, que depois viria a jogar com ele no Lakers, e um duelo de um-contra-um e por bem pouco Celestand, não passou vergonha. Kobe perdeu no último arremesso da partida, mas isso mostrava bem o comportamento alucinante por melhora e desenvolvimento de Bryant.

Inscrito no Draft de 1996, ele mandou o recado para o Charlotte Hornets, que o selecionou na décima-terceira posição, informando que não gostaria de jogar na franquia, mas sim no time de sua infância, o Los Angeles Lakers. Assim acabou feita a sua vontade, e os angelinos despacharam o pivô Vlade Divac, uma das estrelas do time, para contratar um rapaz de 18 anos. Quase ninguém, porém, acreditava que aquele garoto magro e que tinha Michael Jordan como referência de quase tudo, poderia ir longe no basquete. À frente do comando da equipe na época, Jerry West, uma das maiores lendas da história da NBA, disse em entrevista com grande convicção: "Eu sei o que Divac pode nos dar. Um, dois anéis de campeão no máximo. Kobe é um jogador que pode nos dar cinco ou mais e ser um dos maiores jogadores da história do esporte". A profecia do Logo, como ele é chamado, acabaria acontecendo.

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Kobe Bryant comemora a vitória no Oscar - REUTERS/Mike Blake
Kobe Bryant comemora a vitória no Oscar
Imagem: REUTERS/Mike Blake

Jogando pelo Lakers por mais de duas décadas, Kobe passou por tudo. O começo tenebroso, quando nem ele e nem a equipe se encontravam, a dupla com Shaquille O'Neal e o comando técnico de Phil Jackson na qual os Lakers ganharam o tricampeonato entre 2000 e 2002, os anos de vagas magérrimas quando Shaq pediu para ser trocado (e o foi para Miami), um novo grande time com ele comandando todas as ações (três finais, dois títulos em 2009 e 2010) e de novo um final difícil com a franquia não indo mais aos playoffs e vendo Kobe ter problemas com lesão. Isso tudo, claro, sem falar na conquista do Oscar de Melhor Curta-metragem de animação conquistado em 2018 após montagem em cima de sua carta de despedida do basquete (a famosa "Dear Basketball", "Querido Basquete").

Mais que seus números (33.643 pontos, cinco títulos, um troféu de MVP de temporada regular em 2008, dois MVP's de finais em 2009 e 2010, duas medalhas de ouro olímpicas em 2008 e 2012), Kobe deixa um legado de ter sido um dos mais comprometidos jogadores de basquete da história. Considerado um dos dez melhores de todos os tempos por parte da mídia especializada, ele recebeu o apelido de Black Mamba, uma referência a uma cobra, e tem uma série de histórias que mostram como o seu trabalho duro o levou a níveis absurdos (mais aqui)

Por mais de duas décadas ele protagonizou lances incríveis, performances memoráveis, histórias de liderança inspiradoras, duelos contra (agora ainda mais) marcantes contra um veterano Michael Jordan, troféus conquistados a base de muito suor, respeito por toda liga, fãs em todo mundo e jogadores que o enxergam como um dos maiores modelos esportivos de todos os tempos.

Kobe sai da vida, jamais da história. O basquete é um esporte mais triste a partir deste domingo.

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