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Bala na Cesta


Marcelinho Huertas e a fonte da juventude

Fábio Balassiano

Por aqui você verá a análise crítica sobre tudo o que acontece no basquete mundial (NBB, NBA, seleções, Euroliga e feminino), entrevistas, vídeos, bate-papo e muito mais.

13/01/2020 06h01

Marcelinho Huertas é, desde sempre, um armador absurdamente talentoso e vencedor. Foi brilhante em sua primeira passagem no Baskonia, no Barcelona e sempre muito cortejado pela NBA, algo que acabou acontecendo praticamente cinco anos atrás. Sua passagem pelo Los Angeles Lakers, errático, uma zona e em desordem total, como ele mesmo disse em entrevista ao blog, não foi tão boa assim entre 2015 e 2017, porém. Seu retorno a Espanha, em um não menos maluco Baskonia, não foi das mais incríveis tampouco.

Sua passagem, a segunda, terminou depois de dois anos com a sensação de muita gente que a sua vida na Europa estava chegando ao fim. Uma nova vida em Tenerife, time médio, buscando espaço, começaria com Huertas recém completando 36 anos. Não seria fácil, nada fácil.

Divulgação Tenerife
Imagem: Divulgação Tenerife

E como ele tem respondido? De maneira surpreendente - e fantástica. Huertas jogou as 17 partidas do seu time no turno, ajudou o Tenerife a conseguir a espetacular campanha de 11-6 (a quarta em uma equilibrada e forte Liga ACB espanhola), classificou o clube para uma rara Copa do Rei que acontecerá de 13 a 16 de fevereiro em Málaga e voltou a jogar o seu melhor basquete.

São 14,1 pontos de média (sua melhor marca desde 2007/2008 e pela primeira vez na vida entre os dez maiores nos pontos), 53% nas bolas de 2, 38% nas bolas de 3 (ele está entre os 40 melhores nos dois quesitos de arremessos aliás), 7,9 assistências (recorde absoluto de sua carreira e liderança da temporada), 17,1 de eficiência (quinta maior do campeonato) e jogadas absolutamente genais ​​​​​​​.

Seu show maior veio na última rodada da Liga Espanhola, aliás. No sábado, Marcelinho brilhou na vitória contra o Zaragoza por 111-99 sendo o responsável direto por surreais 65 pontos de seu time, maior marca da história da ACB, através de 22 pontos e 17 assistências, a 3ª maior marca da liga.

Não dá pra saber exatamente o que causou essa transformação de Huertas. Tem gente que diz que a paternidade causa esse tipo de coisa. Um senso maior de urgência, uma vontade de mostrar que ainda está jovem, sabe lá eu. Marcelinho, por sua vez e se isso valer de verdade, tem dois motivos, já que foi pai de gêmeos recentemente (dois meninos). Tem gente que diz que ele mudou seus hábitos alimentares, mas não consegui descobrir nada realmente sobre isso.

Seja como for, é lindo ver o armador da camisa 9 desfilando o seu melhor basquete novamente. Em um basquete cada vez mais aberto, cada vez mais quadra espaçada e com poder total para armadores criativos, seu talento aflora e sua criatividade ganha asas. Em um time que depende dele, seu nível de confiança parece lá nas alturas. E isso é maravilhoso.

Que assim continue. Pelo que estamos vendo, o ocaso de sua carreira ainda está bem longe. Ainda bem.

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