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Dia da Consciência Negra não é de comemoração, e sim de reflexão

Manifestante levanta o punho, símbolo do movimento black power, em protesto contra o racismo em Los Angeles - br-photo/Getty Images
Manifestante levanta o punho, símbolo do movimento black power, em protesto contra o racismo em Los Angeles Imagem: br-photo/Getty Images
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Mário Lúcio Duarte, o Aranha, atuou como goleiro na Ponte Preta, no Atlético-MG e no Santos, entre outros. Foi campeão da Libertadores, da Copa do Brasil e dos Campeonatos Paulista e Mineiro. Aposentado, ministra palestras e a participa de eventos sobre questões raciais. Escreveu um livro sobre a história do negro no Brasil, a ser publicado em 2020.

Colunista do UOL

20/11/2020 04h00

20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Esta data também é uma questão importante para esporte, mas prefiro começar explicando ou respondendo algumas das perguntas mais frequentes no mês deste mês.

"Por que há o Dia da Consciência Negra?"

É algo bem simples de elucidar: o Brasil sempre negou a existência do racismo e sempre fugiu do debate. Então, era sim necessário criar um evento, uma situação que obrigasse o povo brasileiro a abordar este assunto.

"Mas por que não tem o Dia da Consciência Branca?"

Talvez porque a escravidão foi cruel e prejudicial à população negra, e não à branca. Após a escravidão, foram as pessoas brancas que criaram barreiras, armadilhas e injustiças que hoje chamamos de racismo. Desta forma, o homem branco não precisou lutar contra o racismo, o qual ele foi o criador.

Mas falar de racismo exige muito cuidado porque, mesmo sendo uma luta do negro contra o racismo e o racista por usar a palavra branco em muitas situações, acaba trazendo certo desconforto para aqueles que são brancos, mas não são preconceituosos.

Ciente da importância do Dia da Consciência Negra e a luta diária que os enfrentam o Brasil, somada à reflexão mundial gerada após protestos violentos motivados devido às mortes violentas causadas por polícias nos Estados Unidos, deparamos com uma ótima oportunidade para que os clubes e atletas brasileiros se posicionarem e se manifestarem de maneira segura sobre o assunto, repudiando o racismo.
Neste ano, a população e a imprensa têm cobrado dos atletas renomados que se manifestem sobre o racismo. Mas este posicionamento pode custar a carreira de um esportista, como ocorreu no recente caso do ginasta Ângelo Assumpção.

LeBron James é uma das personalidades mais fortes no combate à desigualdade racial e por justiça no basquete                               - Garrett Ellwood/AFP                             - Garrett Ellwood/AFP
LeBron James é uma das personalidades mais fortes no combate à desigualdade racial
Imagem: Garrett Ellwood/AFP

Diferentemente dos casos do piloto inglês Lewis Hamilton e dos astro da NBA LeBron James, que chagaram a um nível financeiro e profissional tão alto na carreira em que, mesmo sendo perseguidos, já não tem mais o que temer, pois são praticamente intocáveis.

20 de novembro foi escolhido para representar o Dia da Consciência Negra porque foi nesta data que morreu Zumbi dos Palmares, grande símbolo de luta e resistência.

É uma enorme oportunidade de se posicionar sem corrermos o risco de ser perseguido ou colocar as suas carreiras em risco.

Faço aqui convite para uma reflexão: "O que seria do seu time de coração e da seleção brasileira sem a participação dos negros?"

O Dia da Consciência Negra não é dia de comemoração, e sim um dia de reflexão para chamar a atenção para um grave problema.