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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Com Dorival, Pedro brilha e "chama" Gabigol para a área adversária

Pedro e Gabigol celebram gol do Flamengo sobre o Tolima em jogo da Libertadores - Sergio Moraes/Reuters
Pedro e Gabigol celebram gol do Flamengo sobre o Tolima em jogo da Libertadores Imagem: Sergio Moraes/Reuters
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

07/07/2022 08h22

Dorival Júnior aproveitou uma solução que parecia improvisada nos 2 a 1 sobre o Santos na Vila Belmiro, com time recheado de reservas, para repor a saída de Andreas Pereira enquanto Vidal e, provavelmente, mais um meio-campista que será contratado não podem estrear pelo Flamengo.

Everton Ribeiro entrou pela direita, mas não aberto como um ponta armador. Era o meio-campista na variação de 4-3-3/4-3-1-2, Com Thiago Maia centralizado e João Gomes do lado oposto, protegendo Filipe Luís em um lado que era mais contido para atacar.

Ao contrário do setor direito, em que Rodinei voava pelo corredor e ainda contava com o suporte do próprio Everton, da circulação de Arrascaeta como "enganche" e também de Gabigol. Tudo muito móvel e fluido, como esse time sempre rendeu mais.

Pedro é a novidade, na vaga do lesionado Bruno Henrique. Forte e técnico, fazendo o pivô, arredondando muitas vezes uma saída de bola que ainda precisa de ajustes e com presença na área adversária para ir às redes quatro vezes em noite mágica no Maracanã.

Nem Zico, nem Gaúcho, nem Adriano, nem o próprio Gabigol. Só Pedro conseguiu tal feito, com direito ainda a passe decisivo que terminou no gol contra de Quiñonez e a assistência para Matheus França. Fechando 7 a 1 na volta, oito no agregado.

Mas a grande sacada de Dorival ao definir Gabi e Pedro como dupla é justamente fazer com que o típico centroavante chame para a área do oponente o parceiro que andava se movendo demais. Buscando bola até com os zagueiros na intermediária e ficando longe da zona de conclusão, inclusive sem finalizar nenhuma vez em algumas partidas. Mesmo quando era o único atacante de ofício.

Agora Gabi circula, mas sempre rondando em busca da infiltração. A presença de Pedro também puxa para trás a última linha do adversário e abre espaços entre a defesa e o meio, como os que Arrascaeta explorou à vontade, especialmente no primeiro tempo. O camisa nove também aproveitou. E arrancou em diagonal para marcar seu gol e não passar em branco na noite de Pedro.

O Tolima teve em Plata e Ibargue desfalques muito relevantes, por lesões. Ponteiros que poderiam ter dado mais dores de cabeça a Rodinei e Filipe Luís/Ayrton Lucas em um Flamengo que sacrifica os meio-campistas que precisam cobrir o meio e também o flanco. Mas os méritos e os sinais de evolução da equipe de Dorival são inegáveis. Renovam a esperança em uma temporada que parecia sem maiores pretensões.

Ao menos na Libertadores, decidirá em casa contra o Corinthians nas quartas e, se passar, o mesmo contra Talleres e Vélez Sarsfield, que eliminou o então favorito River Plate, que tinha a segunda melhor campanha. O caminho segue complicado, mas já deu a impressão de ser quase intransponível.

O Flamengo forte, intenso e com uma dupla de artilheiros que enfim ganha sequência e se entende como o torcedor sempre sonhou, volta a despontar entre os grandes candidatos a estar na grande final em Guayaquil.