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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

"Dinizismo" começa a aliar desempenho e resultados no Fluminense

Manoel comemora gol do Fluminense no clássico contra o Botafogo, no Nilton Santos, pelo Brasileirão 2022 - Thiago Ribeiro/AGIF
Manoel comemora gol do Fluminense no clássico contra o Botafogo, no Nilton Santos, pelo Brasileirão 2022 Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

27/06/2022 06h13

Fernando Diniz deixou o Fluminense na zona do rebaixamento em 2019, com um roteiro previsível em todos os jogos: controle pela posse de bola, muitas finalizações, mas também falhas cruciais na defesa e derrotas inesperadas, especialmente em casa, para time de menor investimento e perto ou dentro do Z-4.

Na volta ao tricolor em maio, afirmou que reviu sua proposta de jogo e constatou o óbvio: por mais que se tenha uma visão humanista sobre o atleta de futebol, vencer é fundamental para dar sustentação ao trabalho de todos. O "Dinizismo" precisava combinar melhor desempenho e resultados.

No Estádio Nílton Santos, o Fluminense conseguiu aliar o domínio quase completo do clássico com o Botafogo à concentração para não ceder tantas oportunidades a um rival preparado para os contragolpes e seguir focado na ideia de jogo, sem se desmanchar mentalmente com a demora para achar o gol, até Manoel ir às redes com inesperada categoria, para limpar marcadores na área alvinegra e definir o 1 a 0.

Superando uma tarde pouco inspirada de Cano e Luiz Henrique, este na despedida antes de seguir para o Real Betis, Jhon Arias foi o melhor do setor ofensivo, circulando pelas duas pontas e chegando ao fundo, mesmo com a dedicação dos laterais alvinegros Saravia e Hugo dentro da linha de cinco de um Botafogo que sofreu com as ausências de Patrick de Paula, Kayke, Piazon como opções e também de Erison, que sentiu no aquecimento e foi substituído por Matheus Nascimento, para voltar no segundo tempo e ser bem vigiado por Nino e Manoel.

O segredo tricolor está na forte e organizada transição defensiva, com forte pressão pós-perda e última linha atenta às bolas descobertas. Ainda cedeu nove finalizações ao time de Luís Castro, porém apenas uma no alvo. Mas concluiu 11, três na direção da meta de Gatito Fernández. Incluindo a obra-prima de Manoel, zagueiro que marcou novamente depois do gol contra o Cruzeiro na Copa do Brasil.

Sem a Sul-Americana, Diniz terá tempo para seguir trabalhando. Segue a dúvida sobre a resistência dos titulares dentro de uma proposta de não poupar, que já cobrou caro ao treinador no São Paulo. Favorito aos títulos nacionais em 2020 e viu tudo cair por terra, inclusive pelo "surto" contra Tchê Tchê que implodiu o vestiário.

Agora empurrou o Botafogo, com Tchê Tchê em campo, para trás, terminando com 79% de posse, facilitada pelo talento de Paulo Henrique Ganso para "esconder" a bola dos rivais e ditar o ritmo - foram 656 passes certos do Flu, com 86% de aproveitamento, contra apenas 121 (66% de acertos) do Bota.

O mais importante é que somou a terceira vitória seguida, a oitava em 15 partidas. O Flu está no G-6 como o melhor carioca, mesmo com o revés diante do Flamengo, quando fez do goleiro Hugo o melhor em campo.

Buscando as melhores soluções dentro da filosofia de tirar o melhor em técnica e habilidade de seus comandados, mas concentrado nos três pontos. De novo eles vieram sem precisar abrir mão de suas convicções. Circulando a bola e contando com a arte de seu mais novo zagueiro-artilheiro.

(Estatísticas: SofaScore)