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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Fluminense dá choque de realidade de Série A no Cruzeiro, mas saiu barato

Cano, do Fluminense, comemora gol contra o Cruzeiro, pela Copa do Brasil - Marcelo Gonçalves / Fluminense
Cano, do Fluminense, comemora gol contra o Cruzeiro, pela Copa do Brasil Imagem: Marcelo Gonçalves / Fluminense
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

24/06/2022 08h52

O Cruzeiro do uruguaio Paulo Pezzolano é líder absoluto da Série B e, mesmo na derrota para o Vasco, segundo colocado na tabela, no Maracanã lotado conseguiu impor seu jogo "posicional".

Um 3-4-3/3-5-2 que várias vezes projeta cinco homens para atacar a última linha adversária: dois alas bem abertos e o trio de ataque se procurando por dentro, com Edu na referência. Contra o Vasco, sofreu o gol único de Getúlio, mas teve 62% de posse e finalizou 14 vezes.

Bastou, porém, encarar um time de Série A, fora Galo e América pelo estadual, para, no mesmo Maracanã com bom público, receber um choque de realidade. O trabalho de Pezzolano ganhou tempo e maturidade desde o Mineiro, mas não foi suficiente. É claro que as ausências de Léo Pais, Jajá e Neto Moura e a expulsão do ala Geovane no final do primeiro pesaram muito contra.

Só que o Fluminense sobrou em campo desde o primeiro minuto. Com impressionante reação rápida na pressão pós-perda, fundamental para não ser pego desarrumado na transição defensiva, já que promove intensa movimentação na frente. Fernando Diniz segue com a prática de reunir muitos jogadores no setor da bola na execução do 4-2-3-1 que muitas vezes coloca os pontas Luiz Henrique e Arias no mesmo setor.

Assim controla a posse e gira a bola com velocidade. No ritmo do redivivo Paulo Henrique Ganso, recuperado por Abel Braga, e quase sempre deixando um lateral do lado oposto para receber uma eventual inversão e Gérman Cano na segunda trave como referência dos cruzamentos.

O argentino foi às redes para fazer justiça já no primeiro tempo, mas Arias estava impedido. Rafael Cabral salvou chutes de Samuel Xavier e André, Bidu tirou em cima da linha finalização de Cano. O time mineiro não conseguia sair da teia de aranha montada por Diniz. Fernando Canesin, a chama criativa do setor ofensivo, era engolido pela marcação pressionado e a imposição física de André.

Nos últimos minutos, a montanha-russa: centro preciso de Ganso, gol de Manoel, ex-Cruzeiro. Mas enquanto a torcida comemorava e esperava a saída do intervalo para aplaudir o time, chute de longe para fora e Fábio, sem necessidade, tocou na bola. Cobrança de escanteio ensaiada na primeira trave, entrada rápida do zagueiro Lucas Oliveira para empatar.

Foi a única finalização no alvo dos visitantes, enquanto os donos da casa concluíram 15, seis de dentro da área e três no alvo. A igualdade no placar era um absurdo típico do futebol.

Mas não se sustentou na segunda etapa, com a vantagem numérica do Flu. Até porque Diniz instalou sua equipe no campo de ataque com a entrada do jovem e promissor Matheus Martins no lugar de Nonato, partindo da esquerda para dentro e dando ainda mais volume ofensivo ao tricolor.

Até Cano receber nova bela assistência de Arias, mas do lado direito, para marcar de cabeça. Ciente da necessidade de levar uma boa vantagem para o Mineirão, o Flu seguiu em cima e Rafael Cabral salvou o Cruzeiro. Matheus Martins, Cano, Luiz Henrique, André e Caio Paulista, este novamente improvisado na lateral esquerda, poderiam ter ampliado.

Foram 31 finalizações do Fluminense, no total. De novo o time de Diniz criando muito e concretizando pouco em gols, além do costumeiro vacilo atrás que quase custou caro, mas Vitor Leque, que substituiu Bidu, desperdiçou.

É a chance cruzeirense na volta. A bem armada equipe de Pezzolano penou, mas saiu viva do Rio de Janeiro. O domínio tricolor foi superior até ao do Corinthians nos 4 a 0 sobre o Santos. Nem o Galo subjugou tanto o Cruzeiro nos duelos regionais. Mas o placar de 2 a 1 foi muito mais modesto e o confronto segue aberto. Saiu bem barato.

(Estatísticas: SofaScore)