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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Emoção e otimismo no Botafogo merecem respeito

Patrick de Paula balançou as redes para o Botafogo na partida contra o Fortaleza, válida pelo Campeonato Brasileiro - Jorge Rodrigues/AGIF
Patrick de Paula balançou as redes para o Botafogo na partida contra o Fortaleza, válida pelo Campeonato Brasileiro Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

16/05/2022 07h03

Os resultados têm sido melhores que o futebol do Botafogo nas seis primeiras rodadas do Brasileiro.

Natural para um trabalho de começo tardio, até temerário para uma volta à Série A. A Era SAF com John Textor contratando no atacado e o treinador Luís Castro se apresentando apenas no final de março, 12 dias antes da estreia no Brasileiro,

Justamente a única derrota até aqui, por 3 a 1 para o hoje líder Corinthians. Reação rápida nos surpreendentes 3 a 1 em Fortaleza sobre o Ceará, que havia vencido o Palmeiras na estreia dentro do Allianz Parque.

Muita fibra até o último ataque no empate com o Atlético-GO fora de casa, irritação da torcida em novo empate, mas no Nílton Santos com o Juventude, e os seis pontos contra Flamengo e Fortaleza que alçam o time ao G-4 e ao posto de melhor carioca na tabela.

A comunhão da torcida com o emotivo investidor americano, que já entendeu como funciona a paixão exacerbada do latino e vai se saindo muito bem na comunicação espontânea, cria um clima de comoção e esperança que vai empurrando para frente uma equipe ainda se ajustando.

Mas com ideias de jogo cada vez mais claras, esbarrando na execução ainda imprecisa dos movimentos coletivos, porém com individualidades que fazem diferença. Como Gatito Fernández, especialmente contra o Flamengo em Brasília, o "touro" Erison no ataque e a personalidade de Patrick de Paula nos chutes de fora da área, mesmo sem se firmar entre os titulares.

Compensando com luta as dificuldades contra trabalhos mais consolidados, como o do Fortaleza de Vojvoda. Também a felicidade de combinar a expulsão de Ceballos e o empate com Erison nos minutos finais do primeiro tempo, depois de sofrer com as inversões de jogo do adversário, inclusive no gol de Moisés que abriu o placar.

Para manter o torcedor aceso e apoiando, mesmo com o time afobado na segunda etapa, sem saber bem o que fazer com o homem a mais. Tudo se resolveu na cobrança de falta de Patrick de Paula, que desviou em Yago Pikachu e saiu do alcance de Marcelo Boeck. Depois de dois contragolpes desperdiçados, o gol meio "pinball" de Daniel Borges para fechar os 3 a 1.

Na coletiva pós-jogo, o treinador português reconheceu a atuação confusa. Talvez por conta da ausência do lesionado Gustavo Sauer, que tem mais característica de meia, abrindo o corredor para Saravia, com Victor Sá invertendo o lado e Diego Gonçalves entrando pela esquerda, tenha feito o time perder fluência ofensiva.

Ou a proposta inicial ousada de Vojvoda, mesmo como visitante, atacando a última linha adversária com cinco homens e obrigando o volante Luis Oyama a recuar por dentro e abrir um buraco na frente da defesa. A mudança também não impediu as jogadas em profundidade do time cearense.

Com um a mais, os problemas mudaram, embora Renato Kayzer tenha reforçado o ataque do Fortaleza e dado trabalho. A tarefa era criar espaços. Castro tentou com Patrick de Paula e Chay nas vagas de Tche Tche e Lucas Fernandes. Depois Hugo no lugar de Saravia, com Daniel Borges indo para o lado direito, e Vinicius Lopes na vaga de Diego Gonçalves, para dar amplitude e gerar brechas para as infiltrações por dentro.

Quase nada funcionou, mas a vitória veio na conta da persistência, aditivada pela atmosfera positiva. Um bom time não vive só de vibração, mas ajuda tanto quanto os pontos acumulados neste início, que parecia tender a um Z-4, mesmo que temporário até que as coisas se acertassem, e agora está mais próximo do topo da tabela.

Não significa muito em temporada maluca com calendário apertado. Mas a emoção e o otimismo no Botafogo merecem respeito. O time em formação é uma enorme incógnita, que pode se aprumar em zona intermediária da tabela, mas também fazer história, já no primeiro ano de SAF.

No perde-ganha deste início de Brasileiro, pontuar além do esperado é subir o sarrafo das ambições.