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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Copa do Mundo já em junho seria melhor para a seleção brasileira

Rodrygo e Vinicius Junior marcaram pelo Real Madrid contra o Club Brugge - Dean Mouhtaropoulos/Getty Images
Rodrygo e Vinicius Junior marcaram pelo Real Madrid contra o Club Brugge Imagem: Dean Mouhtaropoulos/Getty Images
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

13/05/2022 08h27

Vinícius Júnior marcou três gols nos 6 a 0 do Real Madrid sobre o Levante. Neymar vem de boa sequência no PSG, depois da eliminação precoce do time francês na Liga dos Campeões. Gabriel Jesus vai se reencontrando no Manchester City. Alisson e Fabinho vivem fases de alta no Liverpool. Sem contar o "raio" Rodrygo decidindo na Champions, Bruno Guimarães se afirmando no Newcastle e Philippe Coutinho feliz com a sequência de jogos e a transferência em definitivo para o Aston Villa.

A seleção brasileira viria forte se a Copa do Mundo fosse agora em junho, logo depois da temporada europeia. E ainda poderia contar com o fator surpresa de uma nova dinâmica ofensiva, com Neymar por dentro, como "falso nove" e os jovens ponteiros Raphinha, Antony ou Rodrygo à direita e Vini Jr, pela esquerda criando pelos flancos e entrando em diagonal.

Enfim a força no ataque e a capacidade de surpreender em uma equipe organizada defensivamente por Tite. Sem parâmetros seguros, por conta da falta de jogos contra as grandes seleções do mundo, que se enfrentam em um calendário só delas, mas com muita gente se destacando no mais alto nível.

Só que o Mundial no Catar será apenas em novembro. Com férias e a primeira parte da temporada 2022/23. Uma grande incógnita, não só em relação ao desempenho dos atletas, mas também em relação aos seus destinos, com possibilidades de trocas de clubes e fases de adaptação.

A história do Brasil em Copas é de muitas vezes viver o ápice um ano antes. Foi assim em 1981, quando venceu França, Inglaterra e Alemanha na famosa "turnê europeia" da seleção de Telê Santana, passando pelo título da Copa América e vitórias sobre Holanda e Itália em 1989 com Lazaroni e a base campeã em 1994, o auge da dupla Romário-Ronaldo e novo título continental, e também da Copa das Confederações em 1997.

Dois títulos, além da liderança na eliminatória sul-americana, que se repetiu em 2005 e 2009. Mais a Copa das Confederações, ou das Ilusões, em 2013, com os 3 a 0 na então favorita e dominante Espanha e os gritos de "o campeão voltou!" no Maracanã. Em 2017, o Brasil de Tite também parecia mais pronto, com Neymar inteiro, do que na Copa realizada na Rússia.

Agora a diferença pode ser apenas cinco meses. Ou não, se todos mantiverem o foco e Tite até encontrar novas soluções para fechar a lista que parece oferecer cada vez menos vagas.

O "gargalo" continua sendo as laterais, com Daniel Alves ainda sendo o nome mais "ponta firme" pela direita e um grande ponto de interrogação do outro lado, que pode ser preenchido por Guilherme Arana, um dos dois únicos prováveis "brasileiros" da lista, junto com o goleiro Weverton.

A única certeza é que a seleção vive o momento de melhores perspectivas para o Mundial desde o início do ciclo 2018/22. Talvez o ideal fosse jogar logo agora, mas quem sabe em novembro, com jogadores menos desgastados, a Copa atípica não termina em hexa?