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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Dani Alves e Coutinho? Absurdo da lista de Tite são os "brasileiros"

Everton Ribeiro, meia da seleção brasileira - Miguel Schincariol
Everton Ribeiro, meia da seleção brasileira Imagem: Miguel Schincariol
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

14/01/2022 07h43

Tite não larga os jogadores atuando no Brasil nem quando eles estão em pré-temporada. É impressionante!

Na lista para os jogos contra Equador e Paraguai pelas eliminatórias, que não valem mais nada, já que a seleção já está classificada para a Copa no Catar e os adversários há tempos não são parâmetro para avaliar a capacidade competitiva pensando na Copa, a gritaria maior foi contra Daniel Alves e Philippe Coutinho convocados.

Mas, ao menos, o lateral atua pelo Barcelona. No dia anterior havia enfrentado Vinicius Júnior e Benzema no grande clássico espanhol pela Supercopa da Espanha. Já o meia estava no time catalão e agora vai disputar a Premier League, ainda que pelo coadjuvante Aston Villa.

Convocação também é confiança. Em Daniel Alves porque sabe que ainda pode ser "ponta firme" em uma posição carente e que não conta com Danilo nas melhores condições - estava lesionado e não vem jogando pela Juventus. Em Coutinho porque este, psicologicamente, precisa desse tipo de afago para tentar recuperar o desempenho que o transformou no segundo jogador mais importante do ciclo 2016-2018 com Tite.

Estão na Europa, nas duas principais ligas do planeta. Este é o único parâmetro confiável para Tite medir o nível de sua equipe para encarar Alemanha, França ou Espanha, já que os amistosos contra grandes seleções europeias são praticamente impossíveis. Porque os interesses comerciais da FIFA e da Conmebol estão acima da questão esportiva.

Se não é possível fazer os confrontos entre as seleções, que os brasileiros que atuam duas vezes por semana ao lado ou contra os principais jogadores do planeta por clubes tenham prioridade absoluta. Pelo nível de competição, com intensidade e entendimento do jogo compatíveis com o melhor do futebol mundial.

Não faz sentido convocar atletas atuando no Brasil, em uma liga periférica, bem abaixo da "elite". Muito menos quando eles ainda estão em pré-temporada.

Tite justificou como sendo uma espécie de "ato de justiça", já que Gabigol, Everton Ribeiro e Weverton ficaram de fora no final de 2021 para jogarem por Flamengo e Palmeiras. E acrescentou que "nós estarmos juntos será fundamental".

E não seria fundamental para Abel Ferreira e sua comissão técnica contar com Weverton na preparação final para o Mundial de Clubes, título tão almejado pelo clube paulista? No Flamengo, o novo treinador, Paulo Sousa, tem na pré-temporada a chance de transmitir seus conceitos de jogo e não contará no período final com dois atletas importantes.

Nenhum dos três será titular com a camisa verde e amarela, muito provavelmente. Talvez o maior prejudicado seja Everton Ribeiro, que terminou o ano em baixa e corre sério risco de perder espaço no clube. Não jogará pela seleção e pode voltar direto para o banco de reservas do Flamengo. Caso não fosse chamado, poderia ter maiores chances de atuar, já que De Arrascaeta certamente será convocado pela seleção uruguaia.

Ou seja, três jogadores sem ritmo de jogo que perderão a chance de entrar em campo por seus clubes. Um absurdo que só pode ser explicado por uma espécie de "cota nacional", para fomentar o futebol jogado no país e não passar um recado que deveria ser óbvio: quer jogar pela seleção? Vá atuar na Europa, pelas principais ligas. No mais alto nível. Simples assim.

Daniel Alves e Philippe Coutinho estão lá, pelo menos. Os "brasileiros" são perda de tempo. Para Tite e, principalmente, para os clubes que pagam altos salários e ficam sem seus atletas durante boa parte do ano. Uma bizarrice sem tamanho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL