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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Grêmio joga o que sabe tarde demais. Renato Augusto puniu

 João Victor jogador do Corinthians discute com jogador Diogo Barbosa do Grêmio durante partida na Neo Química Arena - Ettore Chiereguini/AGIF
João Victor jogador do Corinthians discute com jogador Diogo Barbosa do Grêmio durante partida na Neo Química Arena Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

05/12/2021 18h23

O maior mérito do Grêmio na maior parte da partida na Neo Química Arena foi não permitir que o Corinthians se sentisse confortável para construir volume de jogo e trazer junto os mais de 40 mil torcedores que vêm ajudando a equipe de Sylvinho a se aproximar da fase de grupos da próxima edição da Libertadores.

O time de Vagner Mancini incomodava o oponente ao pressionar o homem com a bola e cortar linhas de passe. Bola roubada, saída rápida pelos flancos com Jhonata Robert e Ferreira, ou o passe longo para Diego Souza fazer o pivô esperando Campaz e os meio-campistas se aproximarem.

O Corinthians tinha ampla superioridade na posse, sempre acima dos 60%, mas quase sempre circulando entre os zagueiros, sem progressão. Só ganhava alguma fluência quando Giuliano, Renato Augusto e Willian se aproximavam.

Roger Guedes estava preso à esquerda, já que Fabio Santos descia pouco. Du Queiroz, improvisado novamente na lateral, mais uma vez não compensou a ausência de Fagner. E Xavier, reposição de Cantillo e Gabriel como volante no 4-1-4-1, não contribuía com bons passes e sobrecarregava os meias. Jô ficava encaixotado entre Geromel e Kannemann.

Primeiro tempo de oito finalizações gremistas contra apenas duas. Três a zero no alvo, a mais bem-sucedida de Diego Souza. Gol típico de centroavante, dominando no peito e completando assistência de Ferreira. Com apenas 30% de posse, o domínio gremista na disputa era completo.

Mas seria difícil manter a intensidade e a concentração por 90 minutos. Segundo tempo de substituições, recuo estratégico do Grêmio, fechando a entrada da área e esperando a hora de acelerar. Com Borja mais rápido e fresco que Diego Souza, porém errando muito tecnicamente. O time gaúcho só finalizou quatro vezes, nenhuma na direção da meta de Cássio.

O time da casa foi avançando, Sylvinho promoveu substituições que aumentaram o poderia ofensivo, porém sem perder a organização. Com Gabriel Pereira e depois Gustavo Mosquito pela direita, Willian inverteu o lado, jogando bem aberto. Cansou Rafinha, que deu lugar a Vanderson, e passou a atrair pelo menos dois marcadores.

Aí entrou a inteligência acima da média no futebol jogado no Brasil: Renato Augusto declarou na entrevista pós-jogo que percebeu os espaços da meia esquerda para dentro. Por ali recebeu na entrada da área, limpou e acertou uma finalização típica do camisa oito. No ângulo de Gabriel Chapecó.

Empate que praticamente condena o Grêmio. Talvez o rebaixamento seja confirmado amanhã, ao final da rodada. A reação jogando o que sabe veio tarde demais. Foi mais time em Itaquera, mas Renato Augusto puniu, para alegria da Fiel, que se sentiu vingada por 2007. Não dá para dizer que é injusto.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL