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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Quem controla os controladores no Flamengo?

Rodolfo Landim e Marcos Braz conversam antes de partida do Flamengo - Alexandre Vidal/Flamengo
Rodolfo Landim e Marcos Braz conversam antes de partida do Flamengo Imagem: Alexandre Vidal/Flamengo
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

01/12/2021 06h40

O Flamengo venceu o Ceará no Maracanã por 2 a 1 e mantém as chances matemáticas de título brasileiro. A cabeça, porém, já está no ano que vem.

As eleições de sábado, dia 4, devem apenas cumprir o protocolo que reelegerá Rodolfo Landim. Dentro da lógica pouco democrática e transparente de quem aparece só nas vitórias e momentos positivos, o atual presidente ainda não divulgou quem o acompanhará no próximo mandato. E a intenção clara é aparelhar os Conselhos do clube, para ter todas as ações aprovadas, sem maiores debates.

Para grande parte da torcida, o mais importante agora é definir o novo treinador. De preferência estrangeiro e que traga a própria comissão técnica, com plenos poderes dentro do CT. Como aconteceu com Jorge Jesus. Quando a gestão, incluindo as escolhas, ficou por conta do departamento de futebol, a coisa desandou. Profissionais indicados por amizade, sem currículos que respaldassem a contratação, foi a tônica.

Eis o ponto. O Flamengo quer um "general" à beira do campo justamente por não existir uma interlocução com o treinador à altura da capacidade de investimento e engajamento do clube.

Ficou claro na contratação de Domènec Torrent. Marcos Braz e Bruno Spindel foram para a Europa entrevistar técnicos europeus. Os dirigentes têm sua experiência no futebol, mas não carregam conhecimento específico para fazer as perguntas certas.

Como questionar o catalão sobre a ideia de aplicar o jogo de posição em uma equipe acostumada com outra dinâmica sob o comando de Jorge Jesus. Dome mudou tudo no segundo jogo e ninguém entendeu, só criticou. Porque não conversaram sobre o tema.

Não adianta ter orçamento de um bilhão se as decisões são amadoras. Junto com o treinador, o Flamengo deve ir atrás de um gerente de futebol, brasileiro ou não, que entenda as ideias e propostas do técnico para mapear de acordo com as características do elenco e a cultura de jogo que o clube vem desenvolvendo nos últimos anos.

Mas para isso, Landim terá que fazer menos política e mais gestão profissional, delegando poderes a quem tem competência, não a apaniguados ou aliados de ocasião. Senão será um ciclo de treinadores, que se expõem em coletivas duas vezes por semana, sendo alvos da torcida, merecendo ou não, e sendo queimados. Enquanto quem deveria escolhê-los com critério e supervisionar o trabalho passam incólumes.

Todos à espera de um novo Jorge Jesus. Ou seja, uma contratação aleatória que deu muito certo e transferiu a imagem de competência para quem teve apenas sorte. E só por isso, e também por manter os princípios de gestão desde a eleição da chapa encabeçada por Eduardo Bandeira de Mello, que Landim será reeleito com folga.

O torcedor espera um 2022 mais feliz. A dúvida é apenas uma: quem controla os controladores no Flamengo?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL