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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: A dura constatação sobre o título estadual do São Paulo

Benítez prepara jogada em duelo entre São Paulo e Athletico-PR - Marcello Zambrana/AGIF
Benítez prepara jogada em duelo entre São Paulo e Athletico-PR Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

25/11/2021 08h14

A diretoria reduziu os preços dos ingressos e o Morumbi recebeu mais de 43 mil torcedores, criando um clima de final para o duelo com o Athletico de ressaca pela conquista da Copa Sul-Americana.

O time de Rogério Ceni dominou, teve 71% de posse e finalizou 20 vezes, mas apenas três no alvo. O time paranaense não acertou uma na direção da meta de Tiago Volpi, de três em 90 minutos.

Tudo para vencer e afastar de vez o risco do rebaixamento. Mas mesmo ocupando o campo de ataque e apresentando ideias e trabalho coletivo para criar espaços, a coisa simplesmente não acontece. Nem com Rigoni e Calleri na frente, muito menos apelando para o contestado Pablo e para um Benítez, que cria de vez em quando e não tem físico para competir.

O empate sem gols, com vaias depois do apito final, deixa o São Paulo na 14ª posição, com os mesmos 42 pontos de Santos e do próprio Athletico, ambos com mais vitórias que as míseras nove do tricolor do Morumbi em 34 partidas. São apenas cinco pontos de vantagem sobre Bahia, 17º colocado que tem um jogo a menos.

Um drama surreal, depois da conquista do Paulista. Torneio tratado como prioridade, atropelando férias e pré-temporada com Hernán Crespo. Tudo para encerrar o jejum, que parecia a âncora que impedia o time de buscar metas maiores. Imaginava-se que uma oscilação natural viria, mas o final de temporada seria tranquilo, até com uma classificação para a Libertadores, por conta dessa farra de vagas, que podem ser oito ou nove.

Mas o time definhou fisicamente e não houve um ganho de confiança com o título. Apenas o relaxamento que comprometeu o início do campeonato. Só oito pontos e uma vitória nas primeiras dez rodadas. Ainda assim, havia lastro para evolução que refletiria nos resultados.

Deu tudo errado e agora o clube tem quatro decisões para evitar o rebaixamento inédito na história do hexacampeão brasileiro, tri da Libertadores e mundial. Grêmio e América fora, Sport e Juventude em casa. Com tantas dificuldades para vencer, o futuro é mais que duvidoso. E poderia ser pior, caso o Palmeiras não tivesse escalado reservas que cumpriram atuação patética no Allianz Parque na vitória são-paulina por 2 a 0.

São apenas 26 gols marcados. A Chapecoense, já rebaixada, fez um a mais. Só Atlético-GO iguala e o Sport marcou 21. É muito pouco para um elenco de G-6, com base que chegou a liderar a edição passada do Brasileiro e superou o Palmeiras, atual campeão sul-americano, na decisão regional.

A dura constatação é que o Paulista atrapalhou uma equipe que tropeça em erros dentro e fora de campo. Agora é lutar, mas rezando para outros quatro caírem pelo São Paulo. Cenário inimaginável em maio, quando levantou uma taça com misto de euforia e alívio, contando com dias melhores. Nada além de uma ilusão.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL