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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Virada do City sobre PSG tem Jesus provando que não pode ser reserva

Gabriel Jesus comemora gol pelo Manchester City sobre o PSG na Liga dos Campeões - REUTERS/Craig Brough
Gabriel Jesus comemora gol pelo Manchester City sobre o PSG na Liga dos Campeões Imagem: REUTERS/Craig Brough
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

24/11/2021 19h16

Quando Mbappé abriu o placar no Etihad Stadium, no início do segundo tempo, o roteiro do segundo duelo entre Manchester City e PSG parecia repetir o do primeiro. Até meio óbvio.

Um massacre coletivo do time de Pep Guardiola, com impressionante volume de jogo construído pelo jogo de posição sempre bem executado pela equipe inglesa, mas com dificuldades para traduzir as oportunidades em gol. Pela resiliência e bom posicionamento dos sete jogadores de linha atrás de Messi, Mbappé e Neymar, mas também por conta da ausência de um fazedor de gols no City.

Foi assim em Paris e também nos primeiros 45 minutos em Manchester. 11 finalizações, mas apenas três no alvo. Com Zinchenko adiantado para dividir com Bernardo Silva a função de "falso nove". Mahrez e Sterling abertos pelas pontas, Gundogan se juntando ao quarteto ofensivo e os laterais Walker e Cancelo auxilando Rodri na construção.

Circulação de bola precisa, força no perde-pressiona, muita consciência do que fazer em campo. Faltava, porém, o principal: o homem do 1 a 0, o finalizador implacável. Que poderia ser Harry Kane ou Cristiano Ronaldo. A ideia de não ter uma referência e distribuir os gols entre muitos atacantes é interessante, mas parece insuficiente no mais alto nível. Ou um desperdício, considerando o orçamento bilionário do clube inglês.

Mas bastou Gabriel Jesus entrar na vaga de Zinchenko, sem que o brasileiro ficasse aberto pela direita, para que Guardiola ganhasse presença na área adversária, empurrando a última linha francesa para trás e dificultando a marcação. É claro que o desgaste dos sete homens que jogam com e sem bola no PSG é brutal e as forças foram sendo minadas. Problema crônico que vai desgastando também o trabalho de Mauricio Pochettino.

Cruzamento de Walker pela direita, Jesus atraiu a atenção da defesa adversária, mas não conseguiu dominar. A bola sobrou para Sterling enfim vencer o ótimo Keylor Navas, aos 17 minutos. Goleiro que salvou a virada quatro minutos depois, com defesa espetacular em chute do camisa nove brasileiro. Aos 30, porém, não teve jeito. Nova jogada pela direita, assistência espetacular de Bernardo Silva e gol de Gabriel Jesus.

Virada que concretiza um domínio de 54% de posse, 93% de efetividade nos passes, 16 finalizações a sete, sete a dois no alvo. De um timaço classificado para as oitavas, mas que segue precisando de um artilheiro para sobrar na Inglaterra e no continente.

Por isso, ao menos por enquanto, Gabriel Jesus não pode ser reserva. Duas finalizações, uma assistência meio sem querer, mas fundamental. Questionado na seleção com alguma justiça, mas decidindo novamente um jogo grande na Europa.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL