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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Campeão da Série B, Botafogo precisa de boas escolhas em 2022

Enderson sendo jogado para cima pelos jogadores do Botafogo após conquista da Série B - Volmer Perez/AGIF
Enderson sendo jogado para cima pelos jogadores do Botafogo após conquista da Série B Imagem: Volmer Perez/AGIF
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

22/11/2021 05h47

17 vitórias, cinco empates e três derrotas. 38 gols marcados, dez sofridos. Incríveis 74,7% de aproveitamento, o mesmo do Atlético Mineiro virtual campeão brasileiro da Série A.

Este é o retrospecto do Botafogo com Enderson Moreira na Série B. Bem superior aos 62,2% da campanha geral até a penúltima rodada. Uma trajetória surpreendente de reconstrução de um time montado dentro de orçamento adequado à realidade de um clube tentando se reerguer de gestões irresponsáveis ao longo da história. Também dificuldades para gerar novas receitas que cubram as muitas lacunas no planejamento sério e com os pés no chão de agora.

Um Botafogo que vence a segunda divisão sem a solidez do Fortaleza, campeão de 2018, nem o "dinheiro novo" do Red Bull Bragantino no ano seguinte. Realidade mais próxima da Chapecoense, que fez o indesejado bate-volta: primeiro na B em 2020, último da A em 2021.

Para evitar destino semelhante, cabe ao time carioca fazer boas escolhas. Tarefa complicada, porque sempre é difícil mudar em viés de alta. Como dispensar, por exemplo, Enderson Moreira e alguns jogadores importantes na campanha atual pensando no ano que vem, caso a direção conclua que é preciso mudar de patamar, até pela natural recuperação de receita na primeira divisão?

Sempre há o temor de ser ingrato e a esperança de evolução profissional de quem entregou tanto em tão pouco tempo. Foi muito rápida a química entre treinador e elenco. Potencializando Chay, Rafael Navarro, Luis Oyama, Pedro Castro, Marco Antonio, Diego Gonçalves, Kanu, Diego Loureiro...

Como garantir que, com manutenção da base, amadurecimento do trabalho e investimento em qualificação, esses mesmos personagens não conseguirão sustentar-se na Série A, ou mesmo buscar algo maior na Copa do Brasil, já entrando na terceira fase?

O certo é que o ano que começou com campanha pífia no Carioca e eliminação precoce no mata-mata nacional terminou com êxtase e esperança no futuro da Estrela Solitária. Superando de longe elencos mais valiosos, como o do Vasco que permanecerá no calvário da B.

Os dias que virão serão de decisões difíceis, mas em um cenário confortável, ou mais respirável. O futebol do Rio de Janeiro ganha mais um clube na Série A. O do passado glorioso, de enormes serviços prestados à seleção cinco vezes campeã mundial. Trabalhando por um futuro próximo com menos protagonismo, mas conectado e competitivo no futebol atual.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL