PUBLICIDADE
Topo

André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rocha: Athletico campeão no "know-how", com golaço do histórico Nikão

Marcinho e Nikão comemoram gol do Athletico-PR contra o Red Bull Bragantino na final da Sul-Americana - EITAN ABRAMOVICH/AFP
Marcinho e Nikão comemoram gol do Athletico-PR contra o Red Bull Bragantino na final da Sul-Americana Imagem: EITAN ABRAMOVICH/AFP
Conteúdo exclusivo para assinantes
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

20/11/2021 19h12

Na final em jogo único e campo neutro, o aspecto emocional tem peso ainda maior nos 90 minutos. No Estádio Centenário, o Athletico teve como grande vantagem a experiência recente em conquistas da Copa do Brasil em 2019 e da própria Copa Sul-Americana de 2018.

É claro que, para o Red Bull Bragantino, na segunda temporada na Série A, a chegada a uma final continental é um lucro enorme. O desempenho na partida decisiva, porém, foi decepcionante. Um time com volume, porém sem inspiração para fazer a diferença no jogo posicional de Mauricio Barbieri.

Difícil entender o posicionamento de Praxedes, praticamente como segundo atacante, ao lado de Ítalo. Um 4-1-4-1 poderia ter imposto uma superioridade no meio-campo sobre o Athletico que se defendia no 5-4-1, mas com apenas Erick e Léo Cittadini por dentro. Facilitou o trabalho defensivo do time de Alberto Valentim, treinador que estreou no torneio justamente na final.

Na frente, Terans foi o grande escape pela esquerda, auxiliado pelo ala Abner. Foi pelo setor que foi criada a jogada do golaço de voleio de Nikão no rebote. Um momento histórico que consagra um dos três remanescentes da conquista há três anos, ao lado do goleiro Santos e do zagueiro Thiago Heleno. O atacante entra definitivamente na história do clube.

Depois foi administrar a vantagem, em muitos momentos acuado demais, mas beneficiado pela timidez de quem poderia desequilibrar no time paulista, com Artur, Helinho e Cuello. Ameaça real só no jogo aéreo, já nos acréscimos. Foram 35 cruzamentos, dentro dos 65% de posse e 13 finalizações, porém apenas duas no alvo do Bragantino.

O Athletico foi eficiente, finalizando dez vezes, quatro na direção do bom goleiro Cleiton. Vence no "know-how" de um clube estruturado e mais acostumado a momentos como este. Está na próxima Libertadores, mesmo abandonando o Brasileiro e ainda correndo algum risco de rebaixamento. Mas pode terminar a temporada com dois títulos relevantes, caso conquiste a Copa do Brasil contra o Atlético Mineiro.

Tem que respeitar e ser tratado como um grande do futebol brasileiro. Não compete no orçamento, mas em campo vem equilibrando forças e levantando taças.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL